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Um estudo de alcance internacional está sendo conduzido em nove municípios da Baixada Cuiabana para investigar a presença da Paracoccidioidomicose (PCM), doença fúngica pouco conhecida, mas considerada uma séria ameaça à saúde de agricultores familiares. A ação conta com a parceria da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e tem como objetivo identificar precocemente casos da infecção.
A pesquisa científica é coordenada pela doutora Rosane Hahn, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), referência mundial nos estudos sobre a doença. Rosane ficou conhecida por identificar uma nova variante do fungo causador da PCM — o Paracoccidioides lutzii — a partir de análises feitas no Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá, onde também ocorrem os tratamentos dos casos confirmados.
Mais de 500 trabalhadores rurais de municípios como Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Santo Antônio do Leverger, Poconé e outros estão sendo submetidos a exames de sangue, com 270 já realizados até o momento. A PCM, também chamada de “paracoco”, é provocada pela inalação de esporos de fungos presentes no solo, afetando órgãos como pulmões, pele, sistema nervoso, ossos e até a região genital.
A coleta de amostras acontece pela manhã e com os participantes em jejum, diretamente nos assentamentos rurais. Os próximos exames ocorrem em 15 de julho, com 20 agricultores do distrito de Aguaçu (Cuiabá), e 19 de julho, com 40 integrantes da Associação de Produtores da Agricultura Familiar da Gleba Resistência.
O projeto enfrentava entraves para acessar diretamente os agricultores até contar com o suporte da Seaf, através da atuação de Doraci Maria de Siqueira, coordenadora de Acesso aos Mercados. Segundo a pesquisadora, foi esse apoio que destravou o diálogo com as comunidades rurais e permitiu a continuidade das coletas.
A secretária de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, destacou o compromisso da pasta com ações que envolvam saúde e fortalecimento da agricultura familiar. “É nosso dever apoiar esses trabalhadores em todas as frentes, inclusive na promoção da saúde”, reforçou.
A iniciativa foi contemplada em edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), com financiamento integral. A expectativa é de que a pesquisa seja concluída até setembro deste ano, com os resultados publicados em revistas científicas internacionais. Agricultores diagnosticados com a doença terão acesso imediato ao tratamento, sem passar por regulação.
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