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Cadetes denunciam abusos, humilhações e irregularidades na Academia da PM em Várzea Grande

Cadetes denunciam abusos, humilhações e irregularidades na Academia da PM em Várzea Grande

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Vieram à tona denúncias graves envolvendo militares da Academia de Polícia Militar Costa Verde, em Várzea Grande. Os relatos apontam uma série de abusos, humilhações, castigos físicos e até práticas que teriam levado um cadete à hospitalização neste ano. Também foram citadas suspeitas de improbidade administrativa e coação para que alunos arcassem com custos de eventos particulares de um superior. Em nota, a Polícia Militar informou que está apurando o caso.

De acordo com os cadetes, um militar que ocupa posição de comando mantém postura cordial diante dos superiores, mas longe deles costuma humilhar alunos e impor cobranças descabidas. Ele teria criado uma espécie de “indústria de eventos” para autopromoção, obrigando os cadetes a financiarem coffee breaks, decoração e brindes, sob ameaça de punições, perda de licenças ou agravamento na escala de serviço.

Os denunciantes também relataram atos de improbidade, como uso de viaturas para fins pessoais — incluindo deslocamentos diários para casa. Outro ponto levantado diz respeito ao fornecimento de alimentação: nos meses de abril e maio, a Academia não teria oferecido comida, pressionando os alunos a arcar com os custos como uma suposta “prova de lealdade”. Quando a refeição voltou a ser servida, a qualidade era ruim, e carne de melhor padrão, por exemplo, seria destinada apenas a oficiais superiores em dias de visita.

Um tenente também foi citado como responsável por aplicar castigos físicos exagerados, que teriam causado lesões em vários cadetes. Em maio, um deles chegou a ser hospitalizado. Há ainda relatos de uso abusivo de gás lacrimogêneo, pressões emocionais e até de um episódio extremo: um cadete teria sido obrigado a misturar comida com sujeira do chão, que depois foi servida aos demais alunos, obrigados a consumir a refeição em gorros e bonés.

Os relatos incluem ainda abusos contra servidores de mais idade e apontam que os cadetes têm sofrido com ansiedade e depressão, decorrentes do ambiente hostil.

Em nota, a Polícia Militar declarou que recebeu as denúncias e que a Diretoria de Ensino, Instrução e Pesquisa (Deip) abriu procedimento administrativo para apurar os fatos. A corporação reforçou que não tolera violência ou abuso de autoridade e que o caso será investigado com rigor.

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