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Operação Devassare mira golpe da falsa central bancária

Operação Devassare mira golpe da falsa central bancária

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Nesta quarta-feira (28.1), a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Devassare para o cumprimento de 27 ordens judiciais com foco no combate aos crimes de estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro e organização criminosa, praticados de forma interestadual.

A ação tem como alvo um grupo criminoso instalado no Ceará, com ramificações no estado de São Paulo, especializado em fraudes pela internet, principalmente no chamado golpe da falsa central do banco. As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, que identificou um esquema estruturado de fraudes bancárias e financeiras, utilizando meios eletrônicos e técnicas de engenharia social.

As ordens judiciais — oito mandados de busca e apreensão domiciliar, oito bloqueios bancários, oito sequestros de bens e três medidas cautelares diversas — foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá. Os mandados são cumpridos em Fortaleza (CE) e nas cidades de Ribeirão Preto, Mauá, Praia Grande e São Bernardo do Campo (SP).

Dinâmica do golpe

As investigações tiveram início após uma vítima de Cuiabá registrar boletim de ocorrência informando que havia sido enganada por criminosos que entraram em contato por mensagens SMS e ligações telefônicas, se passando por falsos atendentes bancários. Os suspeitos alegavam a existência de uma suposta transação via Pix pendente de cancelamento.

Induzida ao erro, a vítima realizou procedimentos em um terminal bancário, o que resultou na contratação indevida de empréstimo e em transferências financeiras não autorizadas.

Com o avanço das apurações, a Polícia Civil identificou uma expressiva movimentação financeira via Pix, além da aquisição de bens patrimoniais incompatíveis com o padrão social dos investigados, reforçando os indícios da prática criminosa organizada.

Lavagem de dinheiro

No desdobramento das investigações, foi constatado que parte dos valores obtidos ilegalmente foi utilizada para pagamento de créditos tributários junto à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), posteriormente aproveitados por terceiros para quitação de IPVA. Também foram identificadas transferências fracionadas para contas de terceiros e empresas, caracterizando mecanismos de ocultação e dissimulação da origem ilícita dos recursos.

Dois dos principais suspeitos possuem o mesmo endereço e se apresentavam como corretores de imóveis, sendo sócios de uma empresa sediada em Fortaleza, que pode ter sido utilizada para a lavagem do dinheiro obtido com os golpes.

As investigações apontaram ainda que valores saíam do Ceará com destino a São Paulo, onde eram utilizados para pagamento de tributos de empresas, que também são alvos de mandados de busca e apreensão, com o objetivo de identificar novos elementos para o avanço do inquérito.

Diante das evidências, o delegado Bruno Palmiro representou pelas ordens judiciais contra os investigados, que foram deferidas pela Justiça e estão sendo cumpridas nos endereços dos alvos.

“O objetivo é interromper a atividade criminosa, preservar provas, identificar todos os envolvidos e rastrear valores oriundos do crime, fortalecendo o combate aos delitos patrimoniais eletrônicos”, destacou o delegado.

O cumprimento das ordens judiciais conta com o apoio das Polícias Civis do Ceará e de São Paulo. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e novas vítimas do grupo criminoso.

Devassare

O nome da operação faz referência à verdadeira devassa realizada pelos criminosos, que invadiram a conta bancária da vítima e efetuaram diversas transações fraudulentas.

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