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Contador investigado em nova operação é apontado como especialista em sonegação

Contador investigado em nova operação é apontado como especialista em sonegação

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Nesta quarta-feira (04), as investigações da Operação CNPJ na Cela revelaram que o contador apontado como mentor do esquema de empresas fantasmas já era conhecido das forças de segurança por sua atuação em fraudes fiscais recorrentes. Ele também integra o núcleo criminoso desarticulado na Operação Hortifraude, deflagrada em setembro de 2025.

Na Hortifraude, o objetivo foi desmontar um complexo esquema de sonegação fiscal no setor de hortifrutigranjeiros, que, segundo as apurações, provocou um prejuízo superior a R$ 45 milhões aos cofres públicos. As duas ações foram conduzidas pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT) e tiveram como foco o mesmo profissional.

Diante da reincidência e da gravidade das condutas, a Justiça determinou a suspensão cautelar do exercício profissional do contador, que teria usado a própria formação para blindar práticas criminosas.

Fraudes fiscais estruturadas

As investigações da Polícia Civil, no âmbito de inquérito instaurado na Delegacia Especializada em Crimes Fazendários (Defaz), apontam que o contador extrapolava atividades técnicas. Ele teria utilizado o registro profissional no CRC para padronizar a abertura de empresas de fachada, validar operações fictícias e dar sustentação a esquemas de evasão tributária.

No caso da Operação Hortifraude, a atuação do contador foi considerada fundamental para a estruturação do esquema que gerou o rombo milionário. Já na CNPJ na Cela, o profissional é acusado de dar aparência legal a negócios inexistentes, manter empresas de papel ativas e emitir notas fiscais sem lastro real. Inicialmente, o prejuízo identificado ultrapassa R$ 190 mil, mas as autoridades não descartam que o valor alcance cifras milionárias com o avanço das investigações.

O delegado João Paulo Firpo Fontes, responsável pelo caso, afirmou que o padrão de atuação se repete. “A conduta replica fielmente o modo de ação já identificado na Operação Hortifraude, demonstrando que o contador se especializou na engenharia da sonegação fiscal”, destacou.

Para o delegado, a operação envia um recado claro ao mercado. “Não será tolerado que profissionais utilizem suas habilitações para servir ao crime. Ao colocar o escritório a serviço de facções e sonegadores, assumem a condição de coautores”, afirmou.

Já o delegado titular da Defaz, Walter de Melo Fonseca Júnior, ressaltou que a investigação conseguiu desarticular o núcleo técnico do grupo criminoso. “Sem a expertise do contador para burlar sistemas de controle e maquiar operações, o esquema não teria alcançado tal dimensão”, explicou.

Com a suspensão do registro profissional e o desmantelamento da estrutura técnica, a força-tarefa avalia que foi possível conter a sangria causada pela emissão de notas frias. O inquérito segue na fase final, com foco na quantificação total do prejuízo e no rastreamento de bens ocultos, visando garantir a restituição integral dos valores desviados aos cofres públicos.

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