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Em 2025, 7.159 mulheres vítimas de violência doméstica foram atendidas pela Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar de Mato Grosso, número que representa aumento de 26,3% em relação a 2024, quando 5.670 vítimas receberam acompanhamento do programa.
Entre os casos está o de Luciana*, moradora de Várzea Grande, que relata ter vivido um relacionamento que começou de forma tranquila, mas rapidamente se transformou em um ambiente de agressões físicas, xingamentos e sofrimento emocional.
Segundo ela, no início do relacionamento havia carinho e atenção, porém, com o passar do tempo, os insultos deram lugar a agressões físicas, incluindo chutes e socos. A vítima afirma que suportou a situação em silêncio por vergonha e medo, escondendo os hematomas e evitando comentar o problema com outras pessoas.
Mesmo após sofrer novas agressões, Luciana decidiu denunciar o agressor. Ela acionou a Polícia Militar de Mato Grosso pelo telefone 190 e, posteriormente, registrou ocorrência em uma delegacia. Dias depois, o suspeito foi preso pela Patrulha Maria da Penha, o que trouxe sensação de alívio à vítima.
Ela afirma que o atendimento recebido pelos policiais foi essencial para recomeçar a vida e recuperar a segurança após anos de violência.
História semelhante
Outra vítima atendida pelo programa é Marta*, manicure que também viveu anos de violência doméstica. Segundo o relato, ela sofria agressões psicológicas constantes e controle excessivo do marido, que limitava sua convivência com familiares e amigos.
A situação se agravou mesmo após a tentativa de separação. Ainda morando na mesma residência, Marta continuou sendo ameaçada e decidiu procurar ajuda. Ela registrou um boletim de ocorrência, solicitou medida protetiva e reuniu provas com fotos e vídeos das agressões.
Com a entrada da Patrulha Maria da Penha no caso, a vítima passou a receber acompanhamento frequente dos policiais, incluindo visitas de verificação do cumprimento da medida protetiva e orientações sobre segurança, como o uso do botão do pânico.
Atuação do programa
Somente em 2025, a Patrulha Maria da Penha também realizou 8.392 atendimentos relacionados a Medidas Protetivas de Urgência e efetuou 12.553 visitas solidárias às vítimas acompanhadas.
A coordenadora de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da PMMT, Ludmila Eickhoff, destacou que o programa atua em conjunto com uma rede de apoio psicológico, jurídico e social, buscando garantir acolhimento completo às mulheres atendidas.
Segundo ela, o objetivo é proteger as vítimas, assegurar o cumprimento das medidas protetivas e ajudar na reconstrução da autonomia e da dignidade dessas mulheres.
Expansão da Patrulha
Criada em 2019, a Patrulha Maria da Penha já atendeu 29.270 mulheres em Mato Grosso. O programa começou com apenas oito policiais e atuação em dois municípios, mas atualmente está presente em 111 cidades do estado, organizadas em 45 núcleos dentro dos 15 Comandos Regionais da PM.
Hoje, o projeto conta com 209 policiais militares dedicados ao atendimento, sendo 72 mulheres.
O comandante-geral da PMMT, Claudio Fernando Carneiro Tinoco, ressaltou que os resultados obtidos são reflexo dos investimentos realizados pelo Governo do Estado.
De acordo com ele, mais de R$ 2,3 milhões foram aplicados na estrutura do programa, incluindo viaturas e sedes próprias em alguns municípios. O comandante também destacou que, com apoio da primeira-dama Virginia Mendes, policiais passaram a receber remuneração extra para atender ocorrências de violência doméstica.
A estratégia busca interromper o ciclo de violência e garantir resposta rápida às denúncias, além de ampliar o acolhimento às vítimas em todo o estado.
Os nomes das vítimas foram alterados para preservar suas identidades.
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