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Neste sábado (08), Dia Internacional da Mulher, a delegada Judá Marcondes, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, reforçou o alerta de que a violência doméstica nem sempre começa com agressões físicas. Segundo ela, muitas situações têm início com xingamentos, humilhações, manipulação e comportamentos de controle, práticas que já configuram violência psicológica e também são consideradas crime.
“A gente fala muito de sinais, mas eu costumo dizer que esses sinais, na verdade, já se tratam de crimes. Quando há traição, xingamentos, palavras que diminuem a autoestima da mulher, isso não é um relacionamento que está em crise, isso é crime de violência psicológica, ainda que muitas vezes a mulher não entenda”, afirma.
De acordo com a delegada, ciúmes excessivos e tentativas de controle sobre a vida da parceira também são sinais preocupantes em relacionamentos abusivos e podem indicar risco de violência mais grave, inclusive de feminicídio.
“Existem muitos feminicídios que ocorrem sem o homem nunca ter dado um tapa na mulher, mas em que houve violência psicológica. Quando um homem tenta controlar a forma como a mulher se veste, com quem ela fala, para onde vai ou busca afastá-la da família e dos amigos, isso mostra uma tentativa de domínio sobre a vida dela. São situações que colocam essa mulher em grande risco”, explica.
A delegada destaca que questões culturais também influenciam a forma como esses comportamentos são percebidos, já que ainda existe a ideia de que o homem deve exercer controle ou autoridade no relacionamento, o que pode favorecer práticas abusivas.
Segundo Judá Marcondes, a naturalização dessas atitudes dificulta que muitas mulheres reconheçam que estão vivendo uma situação de violência, fazendo com que permaneçam em relações abusivas. Em muitos casos, as vítimas também evitam procurar ajuda por receio de conflitos familiares ou por acreditarem que podem prejudicar o agressor.
“Nossa sociedade entendeu como correto aquele homem que se coloca como protetor e usa esse papel para controlar a mulher. Muitas vezes ela nem percebe que está vivendo uma violência”, observa.
Dados da 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada em 2025 pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), apontam que a maioria das vítimas procura ajuda inicialmente junto à família ou a grupos de convivência, como instituições religiosas.
Para a delegada, esse cenário mostra que o apoio de familiares e amigos pode ser decisivo para encorajar a vítima a buscar ajuda formal.
“Esse dado revela que a família tem o papel decisivo para auxiliar essa mulher e encorajá-la a procurar a delegacia. Uma mulher em um relacionamento abusivo precisa de apoio para que ela possa crescer e sair da dependência daquele agressor”, afirma.
Ela também ressalta que a partir do momento em que a vítima procura a delegacia, recebe acolhimento e proteção imediata. Em Cuiabá, por exemplo, a Delegacia da Mulher solicita tornozeleira eletrônica para o agressor em todos os casos, como forma de ampliar a segurança das vítimas.
“A partir do momento em que a mulher procura a delegacia, ela recebe acolhimento. A equipe passa a analisar o caso e adota, de imediato, todas as medidas de proteção necessárias. Hoje, por exemplo, a Delegacia da Mulher de Cuiabá solicita a tornozeleira eletrônica para o acusado em todos os casos. É um direito da vítima procurar a polícia e se defender diante de uma violência. A mulher não é obrigada a viver um relacionamento abusivo”, acrescenta.
A delegada ainda reforça que o Estado conta com uma rede estruturada de atendimento às vítimas de violência doméstica, com apoio policial, social e institucional para acolher e investigar os casos.
As denúncias podem ser feitas diretamente em delegacias, em bases da Polícia Militar ou pelos canais oficiais, como os telefones 180, 197 da Polícia Civil, além do aplicativo SOS Mulher.
A orientação é que ao menor sinal de violência, a vítima ou pessoas próximas procurem ajuda, para que o caso seja investigado e as medidas de proteção sejam adotadas.
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