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Nesta segunda-feira (08), uma pesquisa desenvolvida em Mato Grosso vem demonstrando como um resíduo agroindustrial pode ganhar uma nova função e contribuir para a agricultura sustentável. Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) trabalham na produção de fertilizantes organominerais à base de cinza de biomassa vegetal.
O material utilizado é gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais, resíduo que muitas vezes representa um desafio ambiental. A proposta dos pesquisadores é transformar esse passivo em um insumo agrícola capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas versões granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação nas lavouras. Os estudos também indicam que os nutrientes são liberados gradualmente, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e tornando os sistemas produtivos mais eficientes.
A pesquisa é coordenada pela professora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis, e integra projetos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, a iniciativa busca unir inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, afirmou Edna Bonfim.
Mais de 15 anos de estudos
A linha de pesquisa teve início em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que realiza estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, além de melhorar características químicas do solo e auxiliar no manejo de nematoides. Os resultados positivos já foram observados em culturas como feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Os estudos também apontam para a redução da necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, fator que pode diminuir custos de produção e aumentar a sustentabilidade das atividades agrícolas.
Ganhos para o meio ambiente e para a economia
Além dos benefícios agronômicos, o reaproveitamento da cinza vegetal oferece uma solução ambiental para um resíduo produzido em larga escala pelo setor agroindustrial. Com a transformação em fertilizante, o material deixa de representar um possível passivo ambiental e passa a integrar uma cadeia produtiva com valor econômico.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a economia circular, redução do desperdício de recursos e fortalecimento da inovação no agronegócio mato-grossense, criando alternativas adaptadas às necessidades da produção local.
Destaque científico
Os resultados obtidos ao longo dos anos também têm rendido reconhecimento à pesquisa. De acordo com a coordenação do projeto, os trabalhos já resultaram em publicações em periódicos científicos de alto impacto, ampliando a visibilidade da produção acadêmica desenvolvida em Mato Grosso e fortalecendo o estado como referência em soluções sustentáveis para o reaproveitamento de resíduos e produção de fertilizantes.
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