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Nesta segunda-feira (08), a Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou sua quarta reunião de trabalho para discutir o papel das lideranças religiosas no acolhimento, orientação e encaminhamento de mulheres vítimas de violência.
O encontro foi presidido pelo deputado estadual Gilberto Cattani e teve como relator o deputado estadual Carlos Avallone. A reunião reuniu representantes das igrejas, forças de segurança, governo estadual e do Poder Legislativo.
Participaram do debate o padre Pedro Faustino, o pastor Gutto Martins Neves, a delegada Mariell Antonini, a tenente-coronel Ludmila Eickhoff e a vereadora Maria Avallone.
Rede de proteção às mulheres
Durante a abertura dos trabalhos, Carlos Avallone apresentou ações desenvolvidas pela Procuradoria Especial da Mulher da ALMT e destacou a expansão da rede de proteção no estado.
Segundo o parlamentar, já foram implantadas 46 Procuradorias da Mulher em municípios mato-grossenses, enquanto outras oito unidades estão em fase de implementação. Ele também destacou os resultados da Rota do Respeito 2026, iniciativa voltada à conscientização e prevenção da violência contra mulheres e meninas, que já alcançou mais de duas mil participantes em oito municípios.
“Estamos chegando à fase final da comissão. O relatório será construído com a contribuição de todas as pessoas que ouvimos ao longo dessas reuniões para consolidar propostas que auxiliem no enfrentamento à violência contra as mulheres”, afirmou.
Trabalho preventivo com homens e agressores
A tenente-coronel Ludmila Eickhoff ressaltou que a prevenção passa pela educação e pela mudança de comportamento social. Ela explicou que a Polícia Militar está ampliando ações voltadas tanto para vítimas quanto para homens que receberam medidas protetivas.
Segundo a comandante, equipes especializadas realizam visitas para orientar sobre as consequências do descumprimento das decisões judiciais e apresentar alternativas legais para evitar novos episódios de violência.
Ludmila também defendeu que o debate não seja direcionado apenas às mulheres.
“Precisamos falar com os homens também. Muitos não se identificam como agressores e precisamos mostrar que ser trabalhador ou pai de família não autoriza ninguém a agir com violência”, afirmou.
Igrejas reforçam orientação para denúncia
Representando a Igreja Católica, padre Pedro Faustino destacou que a violência contra a mulher não deve ser tolerada sob nenhuma circunstância e reforçou a importância da denúncia.
“Procure a polícia. Denuncie. Não normalize a violência. A Igreja orienta que a mulher saia dessa situação e busque proteção”, declarou.
Ele explicou que a Igreja Católica possui pastorais, grupos de acolhimento e redes de apoio voltadas ao atendimento de mulheres em situação de vulnerabilidade.
Já o pastor Gutto Martins Neves afirmou que as igrejas evangélicas têm evoluído na abordagem do tema e que atualmente a orientação é de respeito à legislação e proteção às vítimas.
“A violência deve ser tratada dentro da legislação. A lei existe para ser aplicada e precisa ser respeitada”, destacou.
Integração entre instituições
A delegada Mariell Antonini enfatizou que o enfrentamento à violência doméstica exige atuação conjunta entre diferentes setores.
“Essa união entre governo, Assembleia Legislativa, forças de segurança, sociedade civil e demais poderes é o que vai fazer a diferença. Nenhuma instituição consegue resolver esse problema sozinha”, afirmou.
Para Gilberto Cattani, a participação das lideranças religiosas contribuiu para ampliar o debate e fortalecer a construção de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
Segundo o parlamentar, as discussões realizadas ao longo das quatro reuniões serão incorporadas ao relatório final da comissão, que será apresentado à Assembleia Legislativa para subsidiar futuras ações e políticas públicas no estado.
A próxima reunião marcará o encerramento dos trabalhos da comissão, com a apresentação e votação do relatório elaborado por Carlos Avallone.
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