Na última sexta-feira (31), dados divulgados pelo Banco Central apontaram que a dívida bruta do governo geral chegou a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho de 2026, equivalente a aproximadamente R$ 10,8 trilhões. O índice representa um aumento de 10,2 pontos percentuais em relação ao fim de 2022, quando o endividamento correspondia a 71,7% do PIB.
Com o resultado, a dívida pública atingiu o maior nível desde abril de 2021, período em que o indicador estava em 82,6% do PIB. Na comparação proporcional, a relação entre dívida e PIB apresentou crescimento de 14,2% desde o encerramento de 2022.
Em maio de 2026, a dívida havia sido registrada em 81,1% do PIB, o equivalente a R$ 10,6 trilhões. Segundo o Banco Central, os juros responderam por 0,9 ponto percentual da variação observada naquele mês.
A dívida bruta engloba as obrigações do governo federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais, sendo um dos principais indicadores utilizados para medir o nível de endividamento do setor público.
Os dados históricos apresentados mostram diferentes comportamentos do indicador ao longo dos governos federais. Pelo critério utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), houve redução de 11,5 pontos percentuais da dívida no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, queda de 2,2 pontos no segundo mandato e diminuição de 0,8 ponto durante o primeiro governo Dilma Rousseff.
Já no segundo mandato de Dilma, até agosto de 2016, a dívida aumentou 10,7 pontos percentuais. Durante o governo Michel Temer, o avanço foi de 12,5 pontos. No governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, foi registrada redução de 0,8 ponto, enquanto no terceiro mandato de Lula, até junho de 2026, o crescimento acumulado é de 10,2 pontos percentuais.
O FMI mantém uma base histórica para acompanhar o endividamento dos países em relação ao PIB e utiliza metodologia própria para calcular a dívida do governo geral, o que pode gerar diferenças em relação aos números divulgados pelo Banco Central.
Entre as medidas adotadas desde o início do atual governo estão a PEC da Transição, a retomada dos reajustes reais do salário mínimo, o restabelecimento dos pisos constitucionais de saúde e educação, o pagamento de precatórios e os reajustes concedidos aos servidores públicos.
Em 2023, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o elevado nível da dívida influencia diretamente o custo dos juros no país.
Além disso, o Banco Central informou, em junho, que as projeções indicam continuidade da trajetória de alta da dívida nos próximos anos. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 estima que a dívida bruta poderá atingir 87,8% do PIB em 2029, enquanto a mediana das projeções do mercado financeiro, reunidas no Boletim Focus, aponta 83,3% do PIB ao fim de 2026.
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