Nesta quinta-feira (6/8), a Polícia Federal deflagrou a Operação Heritage para investigar um suposto esquema envolvendo crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada. Entre os alvos da investigação está o ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil).
Ao todo, 25 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), são cumpridos nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará.
Além das buscas, a Justiça determinou quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, bloqueio e indisponibilidade de bens de até R$ 316 milhões, recolhimento de passaportes, proibição de saída do país e restrição de contato entre os investigados, entre outras medidas cautelares.
Conforme as investigações, o caso teve origem na análise de um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi, relacionado à restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária.
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que a operação financeira foi utilizada para viabilizar o desvio de mais de R$ 308 milhões em recursos públicos, por meio de uma estrutura composta por fundos de investimento em cascata e empresas interpostas, mecanismo que teria servido para ocultar a origem, a movimentação e o destino do dinheiro.
Entre os alvos também estão dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e um parlamentar, conforme informações apuradas.
Em Mato Grosso, equipes da PF também cumprem mandados na Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e em um escritório de advocacia localizado no edifício Maruanã, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá.
A operação também alcançou a residência de Mauro Mendes, no Condomínio Alphaville 1, em Cuiabá, onde foi cumprido mandado de busca e apreensão. Durante a ação, o passaporte do ex-governador foi recolhido, em cumprimento às medidas cautelares determinadas pelo STF.
Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados podem configurar, em tese, os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada, sem prejuízo da identificação de outras infrações penais ao longo das investigações.
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