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Operação Dark Route mira facção entre Mato Grosso e Rio

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (25), a Operação Dark Route, com o objetivo de desarticular um núcleo de uma facção criminosa que mantinha conexões entre Mato Grosso e o Rio de Janeiro.

Ao todo, são cumpridos nove mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão e cinco ordens de sequestro de veículos de luxo. As medidas foram determinadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá, a partir de investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

A ofensiva ocorre em Várzea Grande e no Rio de Janeiro (RJ) e mira integrantes responsáveis por oferecer proteção a criminosos foragidos, manter soldados armados, movimentar recursos, fornecer suporte logístico e ocultar patrimônio.

Rio de Janeiro era usado como base de apoio

Segundo as investigações, os criminosos não utilizavam o Rio de Janeiro apenas como esconderijo. A estrutura montada no Estado funcionava como uma base de proteção, comando e articulação, reunindo foragidos da Justiça de Mato Grosso, integrantes armados da facção e pessoas ligadas ao suporte da liderança.

Parte dos investigados estava instalada no Complexo do Alemão. De acordo com a Polícia Civil, o local servia como uma espécie de entreposto operacional, para onde eram encaminhados criminosos foragidos e soldados, mantendo-se a conexão com as atividades desenvolvidas em Mato Grosso.

Investigação aponta uso de fuzis

O levantamento policial também identificou a capacidade bélica do grupo. Investigados foram registrados portando e efetuando disparos com fuzis de uso restrito, além de haver informações sobre armazenamento e deslocamento de armas e munições.

Imagens e outros elementos reunidos durante a apuração mostram integrantes armados em áreas dominadas pela facção, inclusive com fuzis associados à organização criminosa e referências à liderança investigada.

Investigado foi preso após deixar o Complexo do Alemão

Antes da deflagração da operação, um dos alvos já havia sido localizado. Na quinta-feira (20), um investigado apontado como auxiliar da liderança foi preso no Rio de Janeiro, após deixar o Complexo do Alemão para ir a uma academia.

A prisão contou com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Já durante a fase ostensiva da Dark Route, outros dois alvos foram presos em Várzea Grande, onde também foi cumprida uma ordem de busca e apreensão contra outro investigado.

Principal alvo continua foragido

O principal alvo da investigação é foragido da Justiça de Mato Grosso e permanece escondido no Rio de Janeiro. Ele não foi localizado nesta etapa da operação.

Apesar disso, as investigações resultaram em um novo mandado de prisão preventiva contra o suspeito, relacionado aos fatos apurados na Dark Route.

Conforme os elementos reunidos pela Polícia Civil, a fuga para o Rio de Janeiro não teria interrompido a atuação criminosa da liderança. O investigado continuaria utilizando áreas dominadas pela facção como pontos de proteção e articulação, mantendo contato com operadores financeiros, integrantes armados, familiares e pessoas utilizadas para ocultar bens e atividades.

Frota de luxo entra na mira da Justiça

A investigação também identificou uma frota de veículos de luxo utilizada por integrantes do grupo no eixo Mato Grosso–Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Civil, alguns automóveis estavam formalmente registrados em nome de terceiros, mas eram utilizados por pessoas próximas à liderança investigada.

A Justiça determinou o sequestro de cinco veículos, entre eles:

  • Porsche Boxster GTS;
  • duas BMWs;
  • Audi A3;
  • Volkswagen T-Cross.

Juntos, os veículos têm valor estimado em aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Para a investigação, os automóveis eram utilizados não apenas para deslocamentos e logística, mas também como instrumentos de ostentação e ocultação patrimonial.

O bloqueio dos bens faz parte da estratégia de descapitalização da organização criminosa, atingindo a estrutura financeira e patrimonial que dá suporte às atividades do grupo.

Operação mira estrutura em dois Estados

A Operação Dark Route busca atingir simultaneamente as duas pontas da estrutura criminosa: os integrantes que utilizavam o Rio de Janeiro como área de proteção e os responsáveis, em Mato Grosso, pelos braços financeiros, operacionais, logísticos e patrimoniais.

Com as prisões já realizadas, os mandados ainda em cumprimento e o sequestro da frota milionária, a Polícia Civil pretende desarticular a rede de apoio construída pelos investigados e retirar recursos utilizados para manter a estrutura criminosa.

Origem do nome Dark Route

O nome Dark Route faz referência à rota criminosa estabelecida entre Mato Grosso e Rio de Janeiro, apontada nas investigações como utilizada para a circulação de integrantes da facção, dinheiro, apoio logístico e veículos de luxo.

A conexão permitia, segundo a investigação, aproximar criminosos escondidos no território fluminense de seus braços financeiros, operacionais e patrimoniais instalados em Mato Grosso.

Vídeo:

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