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Cuiabá intensifica limpeza de bocas de lobo após chuvas e retira toneladas de resíduos das galerias

Nesta terça-feira (8), equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras de Cuiabá reforçaram os trabalhos de limpeza e desobstrução de bocas de lobo após os alagamentos provocados pelas últimas chuvas na Capital.

Somente na região do Parque Geórgia, seis estruturas receberam manutenção, principalmente na Avenida Palmiro Paes de Barros e em dois pontos da Rua Cambará. Em outras regiões da cidade, o serviço alcançou mais três estruturas, totalizando nove bocas de lobo atendidas ao longo do dia.

A operação tem como objetivo melhorar o escoamento das águas pluviais e diminuir a possibilidade de novos pontos de alagamento. Além da retirada do lixo acumulado nas caixas coletoras, os trabalhadores realizam a desobstrução das tubulações subterrâneas, responsáveis por conduzir a água até as galerias.

O secretário municipal de Infraestrutura e Obras, Edson Brasil, explicou que a manutenção faz parte de uma estratégia adotada pela Prefeitura desde 2025, com ações preventivas realizadas inclusive antes do início do período chuvoso.

Segundo ele, algumas estruturas encontradas pelas equipes não recebiam manutenção havia décadas.

“Esse trabalho de desobstrução é uma ação preventiva, realizada antes mesmo do período de chuvas. Muitas dessas bocas de lobo nunca haviam sido limpas. Encontramos estruturas com mais de 30 anos que, conforme constatamos durante os serviços, não apresentavam sinais de manutenção anterior”, afirmou.

O secretário também destacou que chuvas fortes e concentradas podem provocar alagamentos pontuais, mesmo com a manutenção da rede de drenagem em andamento.

“Em uma cidade do porte de Cuiabá, chuvas intempestivas, como a registrada na terça-feira, podem ocasionar pontos específicos de inundação. Quando isso acontece, direcionamos nossas equipes para atender esses locais e solucionar o problema com a maior rapidez possível”, acrescentou.

A operação contou com seis trabalhadores, todos utilizando equipamentos de proteção individual. Para executar os serviços, foram mobilizados dois caminhões hidrojato, um caminhão-pipa e uma retroescavadeira.

Os caminhões hidrojato utilizam água em alta pressão para romper e retirar materiais que bloqueiam as tubulações. O coordenador das equipes, Natal Carvalho, explicou que a limpeza precisa alcançar também a rede subterrânea para que o sistema volte a funcionar adequadamente.

“Não é só limpar a caixa. O importante é limpar também a rede, porque é a tubulação que conduz a água. Estamos deixando as estruturas limpas e preparadas para receber a água da chuva”, afirmou.

O tempo necessário para concluir cada atendimento varia conforme o nível de obstrução. Em casos mais complexos, o serviço pode durar entre um e três dias. Quando há terra e resíduos compactados dentro da tubulação, os profissionais utilizam bicos perfurantes instalados nos equipamentos hidrojato.

Na Avenida Palmiro Paes de Barros, a retroescavadeira também foi empregada para retirar tampas pesadas e remover o acúmulo de terra nas saídas das galerias. O maquinário é utilizado principalmente em locais onde é necessário liberar as aberturas de escoamento ou realizar o desassoreamento das entradas e saídas da rede.

Lixo e fiação agravam obstruções

Durante a limpeza, os trabalhadores encontraram uma variedade de materiais que comprometem o funcionamento do sistema de drenagem, incluindo pedras, garrafas PET, embalagens plásticas e grande quantidade de cabos telefônicos e de fibra óptica.

Segundo Natal Carvalho, a fiação abandonada dentro das estruturas pode reter outros resíduos e formar uma espécie de barreira, facilitando o acúmulo e a compactação de terra e dificultando a passagem dos equipamentos utilizados pelas equipes.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras reforça a orientação para que empresas de telecomunicações e prestadoras de serviço recolham cabos cortados, rompidos ou substituídos. Quando deixada nas ruas ou próxima aos postes, a fiação pode ser levada pela água da chuva para as galerias, aumentando as obstruções e os custos de manutenção para o poder público.

As equipes também foram deslocadas para atender a área externa de um condomínio situado na Avenida Palmiro Paes de Barros, onde a entrada ficou alagada durante a chuva.

No local, os servidores realizaram a limpeza da primeira caixa coletora e da parte externa da tubulação. Um possível problema de projeto, relatado na região há pelo menos dez anos, deverá ser avaliado. Já intervenções em estruturas localizadas dentro de áreas particulares deverão seguir os procedimentos específicos aplicáveis a esses espaços.

Manutenção alcança milhares de estruturas

A Prefeitura informa que vem ampliando, desde janeiro de 2025, as ações de manutenção da drenagem urbana em Cuiabá.

Segundo o balanço oficial, 1.892 bocas de lobo foram atendidas durante 2025. Já em janeiro de 2026, a administração municipal informou que o trabalho acumulado havia chegado a aproximadamente 2,6 mil estruturas em diferentes regiões da Capital.

Para Edson Brasil, a continuidade dos serviços é fundamental para manter a eficiência do sistema de drenagem, especialmente durante os períodos de chuva.

“A limpeza precisa ser contínua para evitar o alagamento das vias. Ao mesmo tempo, é fundamental que a população descarte corretamente os resíduos, porque uma boca de lobo recém-limpa pode voltar a ficar obstruída em poucos dias”, concluiu.

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