A Polícia Federal identificou, durante as investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, repasses de valores milionários para escritórios de advocacia. Entre as movimentações analisadas estão R$ 33 milhões destinados ao escritório Alves Correa, ligado à advogada Dalide Correa, e R$ 40 milhões para o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
A movimentação envolvendo Dalide foi localizada em uma auditoria interna realizada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) sobre operações mantidas com o Master. Os documentos analisados pelos auditores apontaram gastos elevados da instituição com serviços jurídicos.
Segundo diálogos interceptados pela PF e atribuídos a dirigentes do Banco Master, o escritório de Dalide Correa era descrito como um “canal direto com o STF”. Apesar disso, conforme o material citado, os investigadores não encontraram nas conversas menções a nomes específicos de ministros da Corte.
A advogada possui ligação profissional anterior com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), instituição fundada por Gilmar Mendes, atualmente ministro do STF. A relação profissional começou quando Mendes ocupava o cargo de advogado-geral da União, entre 2000 e 2002, período em que Dalide trabalhava na área jurídica da Caixa Econômica Federal.
A atuação de Dalide na direção do IDP terminou em 2017, quando ela deixou o cargo de chefia na instituição.
Gastos com advocacia
O levantamento do BRB também apontou um forte aumento nas despesas do Banco Master com escritórios de advocacia. De acordo com um trecho do relatório obtido pela PF, os gastos chegaram a R$ 215 milhões no ano fiscal de 2024, contra R$ 76 milhões registrados no ano anterior.
Desse montante, os auditores destacaram R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes e R$ 33 milhões pagos ao escritório Alves Correa, relacionado à advogada Dalide Correa.
Os responsáveis pela auditoria indicaram que seria necessário compreender o padrão habitual dessas despesas para avaliar o impacto dos pagamentos no modelo financeiro da instituição.
Além dos R$ 40 milhões identificados no levantamento, o escritório de Viviane Barci de Moraes aparece relacionado a um contrato de R$ 131 milhões firmado com Vorcaro, valor que chamou a atenção durante as investigações.
Documentos divulgados no âmbito do caso Master apontam que contratos envolvendo o escritório previam atuação jurídica em diferentes instâncias do Judiciário e serviços de consultoria estratégica, inclusive em procedimentos perante órgãos como o Banco Central e o Cade.
Advogada nega vínculo com o Master
Dalide Correa negou ter prestado serviços ao Banco Master. Em nota, a advogada afirmou que nunca trabalhou para a instituição de Daniel Vorcaro.
A assessoria do ministro Gilmar Mendes informou que não iria se manifestar sobre o caso.
As informações fazem parte do conjunto de documentos e apurações relacionadas ao caso Banco Master, investigação que envolve suspeitas de irregularidades em operações financeiras e que tramita no Supremo Tribunal Federal.
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