Na sexta-feira (18), a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Broken Chain, com o cumprimento de ordens judiciais contra três integrantes de uma família investigada por agiotagem em Cuiabá.
A ação, conduzida pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), cumpriu três mandados de busca e apreensão e três medidas cautelares diversas da prisão contra um casal, de 76 e 55 anos, e o genro deles, de 29 anos.
As buscas ocorreram em dois imóveis na Capital, sendo uma residência localizada em um condomínio de luxo no bairro Morada dos Nobres e outra no Recanto dos Pássaros. As determinações foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá.
Conforme a investigação, o grupo realizava empréstimos informais com juros que chegavam a 20% ao mês. Para garantir os pagamentos, eram utilizados cheques e notas promissórias.
As vítimas ouvidas pela polícia relataram, ainda, supostas ameaças, pressão psicológica, cobranças intimidatórias e abordagens em casas e locais de trabalho. A Decon também investiga se os envolvidos podem ter cometido outros crimes, entre eles extorsão.
Em um dos casos analisados, uma pessoa teria recebido R$ 5 mil em empréstimo e pago cerca de R$ 8,5 mil. Mesmo após os pagamentos, segundo o relato, ainda teria sido cobrada em mais R$ 14 mil.
A investigação também identificou indícios de que terceiros seriam utilizados para realizar cobranças, além do uso posterior de títulos de crédito em processos judiciais movidos contra possíveis vítimas.
Além das buscas, a Justiça determinou que os três investigados não tenham qualquer contato, direto ou indireto, com vítimas e testemunhas e mantenham distância mínima de 200 metros dessas pessoas.
Também foi proibida qualquer atividade relacionada à oferta, concessão, intermediação, negociação ou cobrança de empréstimos com juros, seja diretamente pelos investigados ou por meio de empresas, terceiros, redes sociais e aplicativos de mensagens.
Dinheiro e documentos são apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam R$ 9.970 em dinheiro vivo, além de centenas de documentos.
Entre os materiais encontrados estavam dezenas de notas promissórias e documentos com números e informações referentes a processos judiciais movidos contra possíveis vítimas de agiotagem.
Todo o material será analisado pelos investigadores e poderá ajudar a identificar novas vítimas e dimensionar a extensão das atividades investigadas.
Polícia pede que vítimas procurem a Decon
O delegado Rogério Ferreira, titular da Decon, orienta pessoas que tenham sido vítimas de agiotagem, especialmente quando houver ameaças, violência ou grave ameaça, a procurar a Polícia Civil e registrar a ocorrência.
Segundo o delegado, a colaboração das vítimas é importante para que sejam adotadas medidas judiciais capazes de impedir novas cobranças e afastar os investigados das vítimas, testemunhas e familiares.
A polícia ressalta ainda que o descumprimento das medidas determinadas pela Justiça ou a descoberta de eventual ligação dos investigados com facções criminosas poderá resultar em pedidos de medidas cautelares mais severas, inclusive prisão preventiva.
De acordo com Rogério Ferreira, muitas denúncias são feitas de forma anônima, sem que as vítimas sejam identificadas, o que pode dificultar o avanço das investigações. Por isso, relatos de diferentes vítimas e documentos que comprovem empréstimos, pagamentos e cobranças são considerados importantes para demonstrar a possível repetição da prática.
O nome da operação, Broken Chain, que significa “corrente quebrada”, faz referência à intenção de interromper o ciclo de endividamento, dependência e intimidação que, segundo a investigação, pode atingir vítimas de agiotagem.
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