Com informações da Assessoria
Em outubro de 2026, o Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso passou a utilizar equipamentos de hemodiálise contínua, tornando-se a primeira unidade do SUS no estado a contar com a tecnologia em funcionamento. O recurso é destinado principalmente a pacientes em condições graves, inclusive aqueles submetidos a cirurgias cardíacas e neurocirurgias.
A unidade dispõe de cinco máquinas, sendo duas instaladas na UTI Pediátrica e três na UTI Adulta. Os equipamentos assumem temporariamente parte das funções dos rins quando o órgão não consegue desempenhar adequadamente seu trabalho, contribuindo para o equilíbrio do organismo durante períodos de maior fragilidade.
A principal diferença em relação à hemodiálise convencional está no tempo e na forma de funcionamento. Enquanto o procedimento tradicional costuma ser realizado por aproximadamente quatro horas, os novos equipamentos podem atuar de maneira contínua por até 72 horas.
A retirada de líquidos e toxinas ocorre de forma mais lenta, o que pode reduzir oscilações no organismo e oferecer maior estabilidade aos pacientes durante momentos críticos.
“Quando você retira muito rápido sangue e toxinas do organismo, o estado de saúde do paciente grave pode piorar e, muitas vezes, é preciso interromper o tratamento. Com essa máquina, é possível fazer essa retirada de forma mais lenta e segura. Isso dá tempo para que os antibióticos façam efeito e para que a equipe consiga estabilizar o organismo do paciente, aumentando as chances de ele atravessar esse período crítico com mais segurança”, explica Eduardo Gomes, coordenador médico da UTI Adulta.
Tecnologia amplia suporte nas UTIs
A hemodiálise pode provocar alterações como queda da pressão arterial, além de outras mudanças capazes de descompensar o organismo. Em pacientes que já apresentam quadros críticos, oscilações abruptas podem agravar a situação e aumentar os riscos durante o tratamento.
Com a diálise contínua, a retirada de líquidos acontece de maneira gradual e controlada, característica especialmente importante para pessoas que passaram por procedimentos de alta complexidade.
“O paciente no pós-operatório de uma cirurgia cardíaca, por exemplo, já passou por um procedimento complexo e de alto risco. Quando os rins não conseguem funcionar adequadamente, fazer a diálise de forma convencional pode ser mais difícil, porque ele ainda está em um momento de grande fragilidade. Com esse equipamento, a retirada de líquidos acontece de maneira lenta e contínua, o que traz mais segurança durante o tratamento”, acrescenta Eduardo Gomes.
Os equipamentos também podem ser utilizados como suporte para remover o excesso de gás carbônico do organismo. O recurso pode beneficiar pacientes com doenças pulmonares graves, quando os pulmões apresentam dificuldade para eliminar o gás adequadamente.
Nessas situações, o gás carbônico pode se acumular na corrente sanguínea e contribuir para o agravamento do quadro. A tecnologia permite que essa remoção seja feita de maneira contínua e controlada, ampliando as possibilidades de assistência aos pacientes críticos.
Profissionais receberam capacitação
Antes do início da utilização dos equipamentos, profissionais do Hospital Central passaram por treinamento técnico com a fabricante e com a equipe do Einstein Hospital Israelita, organização filantrópica responsável pela gestão da unidade pública.
“Preparamos os profissionais para utilizar os novos equipamentos e, também, para aplicar protocolos e práticas assistenciais já adotados pelo Einstein. O objetivo foi padronizar o cuidado e garantir aos usuários do SUS de Mato Grosso o mesmo padrão de excelência assistencial que orienta a atuação da organização”, afirma Alessandra Bokor, diretora do Hospital Central.
O Hospital Central de Alta Complexidade é uma unidade pública que atende pacientes do SUS de Mato Grosso encaminhados pela Central Estadual de Regulação.
Sobre o Einstein
O Einstein Hospital Israelita, responsável pela gestão do Hospital Central, atua nas áreas de assistência, pesquisa, inovação e ensino. Fundada em 1955 e sediada em São Paulo, a organização também desenvolve atividades no SUS há 25 anos, por meio da gestão de unidades públicas e de projetos vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
Segundo o texto institucional, o Einstein foi apontado como 16º melhor hospital do mundo e primeiro da América Latina no ranking The World’s Best Hospitals 2026, elaborado pela Newsweek em parceria com a Statista.
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