Após três dias de julgamento e a análise de um processo com mais de 55 mil páginas, o Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá condenou, na madrugada desta sexta-feira (2), três acusados de envolvimento na execução e intermediação do assassinato do advogado Roberto Zampieri.
Somadas, as penas chegam a 68 anos, 9 meses e 30 dias de prisão. A sentença foi anunciada às 00h49, depois das manifestações finais da acusação e da defesa e da votação realizada pelo Conselho de Sentença.
Antônio Gomes da Silva recebeu pena de 21 anos, 10 meses e 15 dias, enquanto Hedilerson Fialho Martins Barbosa foi condenado a 25 anos de reclusão. Já Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas recebeu 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão.
A acusação foi conduzida pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), com participação do assistente de acusação Giovani Santin, vice-presidente da OAB-MT.
Durante o julgamento, os jurados acompanharam depoimentos de testemunhas, interrogatórios dos três réus, apresentação de provas e os argumentos das partes.
No primeiro dia, seis testemunhas foram ouvidas. Entre elas estavam os delegados da Polícia Judiciária Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, que participaram de etapas da investigação, além do delegado da Polícia Federal Marco Bontempo.
Também prestaram depoimento José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva. As declarações abordaram a dinâmica do assassinato, a participação atribuída a cada acusado e elementos obtidos durante as investigações.
No segundo dia, foram realizados os interrogatórios de Antônio Gomes, Hedilerson Barbosa e Etevaldo Caçadini. Já na terceira etapa do julgamento, acusação e defesa apresentaram as considerações finais aos jurados.
Durante a réplica, o Ministério Público destacou elementos que, segundo a acusação, comprovariam a participação dos três réus. Entre as provas apresentadas esteve a movimentação financeira relacionada ao planejamento e à execução do crime.
Conforme sustentado pelos promotores, R$ 124.250 foram pagos antes do assassinato e outros R$ 60 mil após a morte de Zampieri. Segundo o MPMT, os valores teriam origem em recursos repassados pelos apontados mandantes do homicídio.
Outro ponto apresentado durante os debates foi a informação de que Etevaldo Caçadini teria solicitado entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para que ele e os demais envolvidos não revelassem às autoridades quem seriam os mandantes do assassinato.
Ao defender a condenação, o promotor Samuel Frungilo ressaltou a quantidade de elementos reunidos no processo.
“Eu tenho 27 anos de Ministério Público. Eu nunca vi um crime de recompensa e homicídio mercenário com tantas provas”, afirmou aos jurados.
O promotor Vinícius Gahyva Martins destacou, por sua vez, o planejamento atribuído aos acusados e a escolha do momento para a execução.
“Planejaram e esperaram o melhor momento de vulnerabilidade da vítima para poder retirar o seu bem mais precioso, o direito de viver. O maior roubo que alguém pode sofrer é a interrupção do curso da sua existência”, sustentou.
Segundo a denúncia apresentada pelo MPMT, Antônio Gomes da Silva foi apontado como responsável pelos disparos que mataram Zampieri. Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria participado da organização da ação, inclusive com o fornecimento da arma utilizada no homicídio. Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, por sua vez, foi acusado de integrar a empreitada criminosa.
Ao final, o Conselho de Sentença acolheu a tese apresentada pelo Ministério Público e reconheceu a responsabilidade dos três acusados pelo homicídio.
Os jurados também reconheceram todas as qualificadoras apresentadas na denúncia: crime cometido mediante paga ou promessa de recompensa, utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito.
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