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TRE-MT mobiliza estrutura especial para garantir votação em 114 locais de difícil acesso em Mato Grosso

Nesta sexta-feira, 114 locais de votação considerados de difícil acesso integram a estrutura da Justiça Eleitoral em Mato Grosso. Espalhados por um território de 903.208 km², esses pontos ficam em aldeias indígenas, comunidades rurais, regiões ribeirinhas e até áreas classificadas como urbanas, mas que apresentam grandes dificuldades de deslocamento.

Em alguns casos, a distância entre o local de votação e a sede da Zona Eleitoral chega a 350 quilômetros. Dos 114 pontos, 38 estão em aldeias indígenas, 66 em áreas rurais e 10 em áreas urbanas. A classificação de difícil acesso considera fatores como estradas sem pavimentação, longos percursos, necessidade de embarcações e outras limitações de transporte.

Um exemplo é a Escola Estadual Olavo Bilac, em Rondolândia, vinculada à 61ª Zona Eleitoral. Apesar de estar em uma área urbana, o local é considerado de difícil acesso devido à distância e às condições necessárias para chegar até a região, incluindo trechos de estrada de chão, viagens demoradas e utilização de transporte fluvial.

Os pontos estão distribuídos por diversas regiões do Estado e abrangem dezenas de municípios atendidos pelas Zonas Eleitorais. Entre elas estão unidades com sede em Rosário Oeste, Cáceres, Barra do Garças, Aripuanã, São Félix do Araguaia, Vila Rica, Porto Esperidião, Tangará da Serra, Juara, Confresa, Peixoto de Azevedo, Juína, Marcelândia, Chapada dos Guimarães, Querência, Paranatinga, Gaúcha do Norte, Comodoro e Rondolândia, entre outras.

A 57ª Zona Eleitoral, com sede em Paranatinga, concentra o maior número de locais de difícil acesso, com 12 localidades. Em 11 delas, o deslocamento ocorre por estradas sem asfalto.

Seis desses pontos ficam em aldeias indígenas: Ulupuwene, Pakuera, Central Posto Indígena Marechal Rondon, Vilas Boas, Ipatse e Mehinako. As localidades estão distribuídas entre os municípios de Gaúcha do Norte e Paranatinga e contam com escolas que funcionam como locais de votação.

A logística também inclui trajetos que combinam transporte fluvial, trechos asfaltados e estradas sem pavimentação. Em Marcelândia, por exemplo, o acesso à Escola Estadual Indígena Kamadu, na Aldeia Tuba Tuba, e à Escola Municipal de Educação Básica Jaytatá, na Aldeia Sobradinho, exige ainda a passagem por ponte de madeira.

Em outras regiões, a complexidade é ainda maior. O transporte aéreo será utilizado em sete localidades, todas em aldeias indígenas: Metuktire e Capoto, em Peixoto de Azevedo; Pavuru, em Feliz Natal; Perigara, em Barão de Melgaço; e Villas Boas, Ipatse e Mehinako, em Gaúcha do Norte.

Para garantir que os eleitores dessas regiões possam votar sem precisar percorrer longas distâncias até outros municípios, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) montou uma operação específica, envolvendo equipamentos, urnas eletrônicas, servidores, mesários, técnicos, transportes e apoio das forças de segurança.

A presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, destacou que a estrutura foi planejada para assegurar a participação dos eleitores independentemente das dificuldades de acesso.

Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-MT, Leon Santos Filho, 131 técnicos estarão envolvidos na transmissão dos resultados desses locais. O número é superior aos 114 pontos de difícil acesso porque parte dos profissionais também permanecerá nas sedes das Zonas Eleitorais para garantir suporte técnico.

Todos os 114 locais utilizarão o JE Connect, sistema destinado à transmissão dos resultados, com conexão realizada por meio de internet via satélite. De acordo com o TRE-MT, os profissionais responsáveis pela operação passaram por treinamento e parte deles já possui experiência na atividade.

Para estruturar a transmissão, a Justiça Eleitoral enviou aos Cartórios Eleitorais de Mato Grosso 572 dispositivos JE Connect, utilizados para a leitura do sistema de transmissão de resultados. Também foram encaminhados 199 kits de reserva, preparados para atender eventuais necessidades durante a operação eleitoral.

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