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6X1: Barranco critica posição de Mauro Mendes sobre jornada de trabalho

Nesta quarta-feira (7), o deputado estadual reeleito Valdir Barranco (PT) reagiu às declarações do senador eleito Mauro Mendes (União) sobre a proposta de encerramento da escala 6×1 no Brasil. O petista criticou a defesa feita por Mendes de maior flexibilidade nas relações entre trabalhadores e empresas e questionou o posicionamento adotado pelo futuro senador após as eleições.

Mauro Mendes se manifestou contra a proposta de acabar com a escala 6×1 e afirmou que eventuais alterações na legislação trabalhista precisam ser discutidas de forma mais ampla. Durante um encontro com políticos de direita, na segunda-feira (5), ele defendeu que os trabalhadores brasileiros tenham condições semelhantes às que, segundo ele, existem nos Estados Unidos.

“Essas mudanças feitas sem muita profundidade podem ser muito ruins e graves ao País. Eu, particularmente, defendo que o trabalhador no Brasil possa trabalhar como se trabalha nos Estados Unidos”, declarou Mendes.

Na sequência, o senador eleito citou brasileiros que vivem nos Estados Unidos e afirmou que muitos deles trabalham em jornadas de 12, 14 e até 16 horas por dia, relacionando a carga horária maior à possibilidade de obter remuneração mais elevada.

“Nós temos milhares e milhares de brasileiros que fogem daqui, entram clandestinamente nos Estados Unidos para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia. E ganham muito mais por isso e têm uma qualidade de vida melhor”, afirmou.

A declaração provocou reação de Barranco. O deputado reeleito afirmou que Mendes teria esperado o fim da eleição para apresentar publicamente sua posição sobre a jornada de trabalho e criticou a possibilidade de ampliação das horas trabalhadas.

“E o Mauro Mendes, hein? Esperou terminar as eleições, receber os votos do povo trabalhador sofrido desse estado, pra depois dizer que o pobre tem que se lascar mesmo, tem que trabalhar dezesseis horas por dia”, afirmou Barranco.

Na crítica, o deputado também acusou o senador eleito de defender condições que, em sua avaliação, prejudicariam a classe trabalhadora. Barranco ainda fez referência a uma reportagem do Metrópoles sobre o consumo de whisky de alto valor e utilizou o episódio para reforçar seu questionamento.

“Ele quer que o pobre, a classe trabalhadora seja escrava”, declarou.

Barranco continuou a crítica afirmando que Mendes deveria ter apresentado essa posição antes da eleição, para que os trabalhadores pudessem conhecê-la antes de votar.

“Ele poderia ter dito isso antes da eleição para o povo trabalhador de Mato Grosso não ter depositado o voto nele. Como fez? Se elegeu com o voto do povo trabalhador e agora quer pôr o povo no pelourinho, como escravos. Uma vergonha, hein Mauro Mendes?”, completou.

As declarações de Mendes ocorrem no momento em que o Senado discute a PEC 221/2019, que propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelecer dois dias de descanso remunerado, mantendo os salários.

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