Neste domingo (11) e durante o mês de conscientização do Outubro Rosa, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) reforça a importância de as mulheres procurarem as unidades de saúde para realizar exames preventivos e investigar possíveis sinais de câncer de mama e de colo do útero. Segundo a pasta, a identificação precoce dessas doenças amplia as possibilidades de tratamento e pode elevar as chances de cura a mais de 90%, conforme avaliação do secretário estadual de Saúde, Juliano Melo.
O câncer de mama está entre os tumores que mais atingem mulheres brasileiras e é a principal causa de morte por câncer na população feminina do país. Por isso, a campanha busca ampliar o acesso à informação e incentivar a atenção a alterações no corpo, como caroços nas mamas, mudanças na pele, dores incomuns, sangramento vaginal fora do habitual e dor durante as relações sexuais.
A orientação da SES é que a população procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber orientações, realizar ou solicitar exames e acompanhar os resultados. Quando são identificadas alterações, a Atenção Primária pode encaminhar a paciente para serviços especializados, conforme a necessidade.
Os números estaduais mostram a dimensão dos atendimentos. Entre janeiro e julho de 2026, as unidades de saúde de Mato Grosso realizaram 18.567 mamografias. Em todo o ano de 2025, foram registrados 33.217 exames desse tipo no estado, de acordo com os sistemas oficiais de informação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Na rede estadual, o Hospital Estadual Santa Casa contabilizou, entre janeiro e agosto de 2026, 3.837 consultas ginecológicas e 3.732 atendimentos com mastologistas. De janeiro a setembro, a unidade também realizou 1.934 mamografias bilaterais e 2.750 ultrassonografias mamárias, pélvicas e transvaginais, totalizando 4.524 exames de imagem voltados à saúde feminina.
Outra unidade que ampliou a oferta de exames foi o Hospital Central de Alta Complexidade, administrado pelo Einstein Hospital Israelita. Desde o início dos atendimentos com mamografia, em 15 de setembro, até 5 de outubro, 245 mulheres passaram pelo procedimento. O hospital também realizou 55 cirurgias de mastologia oncológica entre 10 de junho e setembro. As pacientes chegam ao serviço por meio do Sistema Estadual de Regulação (Regula MT) ou do ambulatório hospitalar, após encaminhamento pela Central Estadual de Regulação.
O Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa (Cridac), vinculado à SES, também atua no atendimento a mulheres que enfrentam a doença. O setor especializado em cuidados relacionados à mama completou 20 anos de funcionamento em 7 de outubro e acompanha atualmente 70 pacientes diagnosticadas com câncer de mama, nas fases pré e pós-operatória.
No Cridac, são oferecidas terapias individuais e em grupo, hidroterapia e sutiãs pós-mastectomia gratuitos para mulheres que passaram pela retirada da mama. Durante o Outubro Rosa, a unidade promove rodas de conversa informativas todas as quartas-feiras, às 14h30.
Alterações no corpo exigem atenção
O médico responsável pelas áreas de Oncologia Cirúrgica, Mastologia e Ginecologia da Santa Casa, Eduardo Garcia de Arruda, destaca que conhecer o próprio corpo ajuda a identificar possíveis sinais da doença. Entre os principais alertas estão nódulos nas mamas ou axilas, mudanças no tamanho ou formato dos seios, vermelhidão, retração do mamilo e alterações na textura da pele, que pode apresentar aspecto semelhante à casca de uma laranja.
Também merecem investigação a saída espontânea de líquido pelo mamilo, especialmente quando há presença de sangue, e feridas persistentes que não cicatrizam. Ao perceber qualquer uma dessas alterações, a recomendação é procurar avaliação médica, independentemente da idade.
Embora a incidência seja maior entre mulheres com mais de 50 anos, o especialista ressalta que a prevenção e a atenção à saúde devem começar antes dessa faixa etária. Ele também recomenda atividade física regular, manutenção do peso saudável, alimentação equilibrada e redução do consumo de bebidas alcoólicas. A amamentação, quando possível, é apontada como um fator que contribui para a proteção contra o câncer de mama.
O acompanhamento periódico e os exames de rastreamento também são importantes. A indicação da mamografia deve considerar a idade, o histórico individual e a avaliação profissional. O exame consegue detectar alterações que ainda não são percebidas pelo toque, permitindo a investigação antes mesmo do surgimento de um nódulo palpável.
A campanha Outubro Rosa reforça, portanto, a importância de não ignorar sinais suspeitos, manter o acompanhamento de saúde e buscar atendimento nas unidades do SUS. A identificação precoce pode fazer diferença no tratamento e na qualidade de vida das pacientes.
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