A participação de empresas nos sistemas de logística reversa de embalagens apresentou um crescimento expressivo em Mato Grosso. Dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) apontam que o número de empresas participantes passou de 13.144 para 50.603 entre 2012 e 2026, uma expansão de 285%, conforme informações repassadas pelas entidades responsáveis pela gestão dos sistemas.
O levantamento foi realizado pela Coordenadoria de Serviços e Gestão de Resíduos Sólidos da Sema. A adesão envolve negócios que comercializam produtos no território mato-grossense, independentemente de estarem instalados no Estado ou terem sede em outras unidades da Federação.
A logística reversa estabelece mecanismos para que produtos e embalagens retornem ao ciclo produtivo depois de utilizados pelos consumidores. Com esse processo, materiais como plástico, papel, papelão, metais e vidro podem ser recuperados e transformados em matéria-prima para a fabricação de novos produtos, evitando o descarte inadequado.
A responsabilidade das empresas está prevista na Lei Estadual nº 12.560/2024, regulamentada pelo Decreto nº 2.156/2026. As normas determinam que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes organizem e implementem mecanismos para receber os materiais após o consumo.
Para o coordenador de Serviços e Gestão de Resíduos Sólidos da Sema-MT, Ricardo Carneiro, o avanço da adesão empresarial também representa oportunidades para o setor de reciclagem e para os trabalhadores envolvidos na recuperação dos materiais.
“A logística reversa de embalagens fortalece a reciclagem em Mato Grosso ao mobilizar recursos e ampliar oportunidades para as empresas do setor e para as associações e cooperativas de catadores. Com isso, valorizamos o trabalho de quem recupera esses materiais, geramos renda e reduzimos a quantidade de resíduos descartados no meio ambiente”, destacou.
Como funciona a participação das empresas
Uma das formas de cumprir as exigências legais é integrar entidades gestoras, organizações responsáveis pela administração coletiva dos sistemas de logística reversa. Elas coordenam as atividades, reúnem os dados das empresas participantes e encaminham à Sema a documentação necessária para demonstrar os resultados.
Nesse modelo, os negócios informam a quantidade de produtos comercializados no Estado e apresentam comprovantes referentes à recuperação das embalagens. A fiscalização considera os materiais efetivamente destinados à reciclagem, com registros que permitam acompanhar sua origem e o retorno ao processo produtivo.
Outras cadeias de produtos também entram no monitoramento
O acompanhamento realizado pela Sema não se limita às embalagens. Em 2026, o órgão também recebeu planos de logística reversa de diferentes segmentos, incluindo pneus, pilhas e baterias, equipamentos eletroeletrônicos, lâmpadas, óleos lubrificantes e medicamentos domiciliares vencidos ou sem uso.
Os documentos detalham como cada setor pretende estruturar e executar os mecanismos de recolhimento e destinação dos produtos descartados pelos consumidores.
A próxima etapa será o monitoramento dos resultados dessas iniciativas por meio de relatórios anuais. Conforme o Decreto nº 2.156/2026, a primeira entrega dessa documentação está prevista para 2027, permitindo acompanhar a execução dos planos e os materiais efetivamente recuperados.
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