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Ato de esperança transforma vidas e amplia chances de cura em mato grosso

Ato de esperança transforma vidas e amplia chances de cura em mato grosso

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Nesta sexta-feira (28), a servidora pública Kauana Elizabeth Dutra dos Santos, moradora de Várzea Grande, resume em poucas palavras um gesto capaz de mudar destinos: “Doar medula óssea é doar a chance de recomeçar para o outro e também para a gente”. Em 2025, ela se tornou uma das três pessoas de Mato Grosso que efetivaram a doação e ajudaram a salvar uma vida.

Os procedimentos dos voluntários do Estado ocorreram nas cidades de Ribeirão Preto, Brasília e Niterói. Apesar de o cadastro ser feito em Mato Grosso, a doação acontece, geralmente, no município onde o paciente realiza o tratamento, com todas as despesas custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Cadastro cresce e amplia banco de voluntários

Em 2025, o MT Hemocentro — único banco de sangue público do Estado — cadastrou 1.097 novos voluntários no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Com isso, Mato Grosso passou a contar com 73.492 pessoas aptas e disponíveis para doar, caso haja compatibilidade com algum paciente.

Ainda assim, a convocação depende de um fator decisivo: a compatibilidade genética entre doador e receptor. Atualmente, a chance de encontrar um doador compatível fora da família é de 1 em 100 mil dentro do banco de dados.

Segundo o diretor do MT Hemocentro, Fernando Henrique Modolo, quando surge uma possível compatibilidade, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) entra em contato com o voluntário para uma nova etapa de exames, que confirmam as condições de saúde e a compatibilidade definitiva.

Tratamento pode beneficiar pacientes com mais de 80 doenças

O transplante de medula óssea é indicado para pacientes diagnosticados com mais de 80 doenças, entre elas leucemias, linfomas, alguns tipos de anemia e enfermidades hereditárias. Em fevereiro, a campanha Fevereiro Laranja reforça a conscientização sobre a leucemia e destaca a importância vital da doação.

A experiência que mudou uma vida

Kauana, de 31 anos, fez o cadastro em 6 de março de 2024. Em menos de dois anos, no dia 4 de novembro de 2025, foi chamada para realizar o procedimento.

Durante o processo, ela conta que manteve o pensamento voltado para quem aguardava a medula. “A cada passo, a cada exame, a cada etapa que eu realizava, meu pensamento estava no receptor. Eu imaginava o quanto ele aguardava por aquela medula, o quanto estava ansioso pela oportunidade de continuar vivendo. Isso me dava ainda mais certeza de que eu estava exatamente onde deveria estar. Hoje falo com o coração cheio de gratidão. Viver essa experiência me transformou”, afirmou.

A doação ocorreu por aférese, no Banco de Sangue de Brasília. Durante quatro dias, ela recebeu medicação para estimular a produção de células-tronco. No dia da coleta, o procedimento foi feito por meio do sangue, com o auxílio de uma máquina semelhante à utilizada em hemodiálise, sem necessidade de internação ou anestesia.

Emocionada, ela incentiva outras pessoas a também se cadastrarem. “Sou muito grata ao MT Hemocentro por ter me dado a oportunidade de ser esperança na vida de alguém. Essa experiência não transformou apenas quem recebeu, mas transformou profundamente a mim também. Hoje, eu sei que fui instrumento de vida e isso mudou a forma como eu enxergo o mundo e o meu propósito nessa terra”, declarou.

Como se cadastrar para doar medula óssea?

O cadastro pode ser feito no MT Hemocentro, localizado na Rua 13 de Junho, nº 1.055, em Cuiabá. A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h, e a equipe está preparada para orientar os interessados.

Para se tornar doador é necessário:

  • Ter entre 18 e 35 anos;
  • Estar em bom estado de saúde;
  • Não possuir doenças impeditivas, como hematológicas, neoplásicas, infecciosas ou do sistema imunológico;
  • Apresentar documento oficial com foto.

No momento do cadastro, é coletado um tubo com 5 ml de sangue para exame de tipagem HLA (antígenos leucocitários humanos). Os dados são inseridos no Redome, e o voluntário permanece disponível até os 60 anos.

Embora a convocação possa demorar — ou até nunca acontecer —, cada novo nome no cadastro representa mais uma chance real de salvar uma vida.

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