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Caso Renato Nery: MP denuncia mais dois PMs por envolvimento em assassinato de advogado

Caso Renato Nery: MP denuncia mais dois PMs por envolvimento em assassinato de advogado

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apresentou uma nova denúncia criminal relacionada ao assassinato do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, ocorrido em julho de 2024, em Cuiabá. Desta vez, dois policiais militares foram formalmente acusados, ampliando o número de envolvidos na execução do crime que teria sido motivado por disputa de terras e promessa de recompensa.

A nova ação, ajuizada em 26 de junho pela 27ª Promotoria Criminal da Capital, também contou com a atuação das promotorias que integram o Núcleo de Defesa da Vida. Os denunciados são os PMs Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira, que segundo a investigação, integravam uma organização criminosa e participaram ativamente do planejamento e execução do homicídio.

Eles respondem pelos crimes de homicídio qualificado (por promessa de recompensa, uso de meio que gerou perigo comum, recurso que dificultou a defesa da vítima e pela idade avançada de Renato), fraude processual, abuso de autoridade e organização criminosa.

Segundo o MPMT, os dois atuaram como elo intermediário na cadeia criminosa. Jackson Barbosa teria coordenado as ações, efetuado pagamentos parciais e articulado o grupo, enquanto Ícaro Ferreira foi responsável por fornecer a arma utilizada no crime – uma pistola Glock adaptada para disparos automáticos – além de facilitar transferências financeiras. A execução foi realizada por Alex Roberto de Queiroz Silva, sob comando do também policial Heron Teixeira Pena Vieira, já denunciados em maio.

O crime aconteceu no dia 5 de julho de 2024, em frente ao escritório da vítima, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. O advogado foi atingido por disparos à queima-roupa, em um atentado meticulosamente planejado. A motivação, segundo a denúncia, teria sido uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terra no município de Novo São Joaquim. Renato havia vencido a causa, o que gerou prejuízos financeiros às partes derrotadas.

Além disso, o advogado havia protocolado uma denúncia ética contra outros profissionais do Direito, acusando-os de manter um suposto “escritório do crime”, com envolvimento de um magistrado.

Ambos os policiais denunciados agora também são alvos anteriores do MPMT na Operação Simulacrum, que investiga ações ilícitas cometidas por agentes de segurança pública.

A denúncia foi assinada pelos promotores de Justiça Élide Manzini de Campos, Rinaldo Segundo, Rodrigo Ribeiro Domingues e Samuel Frungilo. O caso segue sendo investigado, e novos desdobramentos não estão descartados.

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