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Dois pesos, duas medidas? STF é cobrado por tratamento distinto dado a Lula e Bolsonaro

Dois pesos, duas medidas? STF é cobrado por tratamento distinto dado a Lula e Bolsonaro

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Em meio à polêmica que cerca as recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), um episódio do passado volta a ganhar destaque e reacende o debate sobre a coerência e imparcialidade da Corte. A comparação com o caso de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que mesmo preso entre 2018 e 2019 teve o direito de conceder entrevistas, levanta questionamentos sobre a aplicação dos mesmos princípios constitucionais a diferentes figuras políticas.

Na época, em setembro de 2018, o então ministro Ricardo Lewandowski autorizou que Lula, à época detido por corrupção, falasse à imprensa, entendendo que impedir as entrevistas caracterizaria censura prévia. A decisão permitia conversas com os jornalistas Florestan Fernandes Júnior (El País) e Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo).

Entretanto, a autorização foi rapidamente suspensa por Luiz Fux, que era vice-presidente do STF. Ele argumentou que as declarações do ex-presidente poderiam impactar o resultado das eleições daquele ano. A proibição durou até abril de 2019, quando o então presidente do Supremo, Dias Toffoli, revogou a liminar de Fux, afirmando que o processo principal havia transitado em julgado e, por isso, a medida havia perdido seu efeito.

O trecho do despacho foi claro:

“Operado, portanto, o trânsito em julgado da ação principal […], há de se reconhecer a perda superveniente de objeto, atingindo, por consequência, os efeitos da liminar anteriormente deferida em toda sua extensão”, afirmou Toffoli.

Hoje, o cenário é bem diferente. Mesmo sem condenação definitiva, Jair Bolsonaro é alvo de uma série de medidas cautelares impostas pelo STF. Na última segunda-feira (21), o ministro Alexandre de Moraes proibiu o ex-presidente de conceder entrevistas, intensificando as restrições que incluem também limitações à sua liberdade de locomoção.

A disparidade de tratamento entre os dois casos tem alimentado críticas nas redes sociais e nos bastidores políticos, especialmente entre aliados de Bolsonaro, que acusam o Supremo de aplicar a Constituição de maneira seletiva, conforme a orientação política dos envolvidos.

Enquanto Lula pôde se manifestar politicamente mesmo estando preso, Bolsonaro, que ainda não foi condenado, segue silenciado por ordem judicial. O episódio levanta um questionamento crucial para a democracia brasileira: estão os princípios constitucionais sendo aplicados com equidade?

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