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Escola de Cuiabá tem apostilas personalizadas para estudantes autistas e neurodivergentes

Escola de Cuiabá tem apostilas personalizadas para estudantes autistas e neurodivergentes

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Nesta sexta-feira (21), a Escola Municipal de Educação Básica Silva Freire, no bairro Itapajé, em Cuiabá, ganhou destaque por seu modelo de ensino voltado à inclusão e à personalização do aprendizado para estudantes autistas e outras neurodivergências. A unidade se tornou referência ao oferecer apostilas individualizadas, criadas especialmente para atender às necessidades de cada criança.

Os professores elaboram materiais exclusivos para os alunos PCDs, adaptando conteúdo, linguagem e estímulos visuais. Em muitos casos, as apostilas trazem imagens personalizadas, como fotos dos próprios estudantes representados como personagens de desenhos animados, super-heróis, jogos eletrônicos ou até pilotos de Fórmula 1, tornando o processo de aprendizagem mais atrativo.

A partir desses materiais, as atividades incluem treinos de letras, identificação de objetos, formação de palavras e exercícios voltados ao desenvolvimento cognitivo e motor — tudo de acordo com o interesse e o ritmo de cada aluno.

A escola conta hoje com 420 estudantes, sendo 25 diagnosticados com algum tipo de deficiência, entre eles cadeirantes, alunos com Síndrome de Down e autistas. A estrutura da unidade também inclui banheiros adaptados e recursos acessíveis.

Segundo o diretor Sérgio Lacerda, a construção dos materiais envolve a família desde o início, o que reforça o vínculo entre escola e comunidade e potencializa o desempenho escolar. A coordenadora Gisele de Figueiredo Taques destaca os avanços conquistados, como melhorias na oralidade, na coordenação motora e na identificação de letras.

O reconhecimento também vem das famílias. A agente de saúde Juliana Vieira Lenza, mãe de um aluno autista de 7 anos, afirma que o filho apresentou progressos significativos, especialmente na comunicação e interação, após o uso das apostilas personalizadas.

A professora Karla Darci, especialista em mídias digitais, explica que a iniciativa nasceu da necessidade de criar materiais específicos para alfabetização de crianças neurodivergentes. O processo inclui coleta de informações com a família, cuidadoras e equipe técnica, e cada apostila é atualizada conforme o estudante avança.

Além das apostilas, a escola dispõe de sala multifuncional, onde os alunos recebem atendimento complementar em contraturno, com atividades focadas em tecnologia assistiva, jogos pedagógicos e desenvolvimento sensorial e motor. Os espaços contam ainda com infraestrutura tecnológica, incluindo internet de fibra óptica, data show e salas de recomposição da aprendizagem.

A experiência da Escola Silva Freire demonstra que a personalização do ensino, aliada à participação ativa das famílias e à estrutura adequada, pode transformar o processo educacional e ampliar o desenvolvimento de crianças com autismo e outras neurodivergências.

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