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Nesta terça-feira (3), dados oficiais confirmam que o gergelim vem se consolidando como uma das principais apostas do agronegócio mato-grossense, impulsionado pela abertura de mercados internacionais, adaptação ao clima e viabilidade como segunda safra em áreas antes ocupadas por outras culturas.
Entre as safras 2023/2024 e 2024/2025, a produção estadual saltou de 246,1 mil toneladas para 288,9 mil toneladas, crescimento de 17,3%. O avanço não se limitou à área plantada: a produtividade média também aumentou, passando de 579 quilos por hectare para 720 quilos por hectare, reflexo direto da evolução no manejo agrícola e da adoção de novas tecnologias no campo.
Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, a expansão da cultura está fortemente ligada ao mercado externo. “A abertura do mercado chinês para o gergelim brasileiro mudou o cenário. Somente em Mato Grosso, mais de 20 empresas já foram credenciadas, o que estimulou investimentos em pesquisa e no melhoramento das sementes”, destacou.
Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que o Estado deve cultivar cerca de 400 mil hectares de gergelim na safra 2025/2026, dentro de um total de 22,3 milhões de hectares destinados à produção de grãos. A expectativa é manter o patamar de quase 290 mil toneladas, com tendência de crescimento tanto da área quanto do volume colhido.
A cultura tem avançado principalmente em regiões onde o milho enfrenta limitações por conta da estiagem precoce, como o Araguaia. Nesses locais, o gergelim surge como alternativa viável dentro da janela de plantio. “Em áreas com menor regularidade de chuvas, o gergelim se encaixa melhor no calendário agrícola e reduz riscos ao produtor”, explicou o secretário.
A produtividade média gira em torno de 700 quilos por hectare, com potencial de alcançar até mil quilos, desde que haja ajustes no manejo. Outro fator que favorece a expansão é a adaptação de máquinas já utilizadas na soja, como colheitadeiras, o que reduz custos operacionais e facilita a adoção da cultura.
O plantio ocorre, em geral, entre o fim de fevereiro e o início de março, logo após a colheita da soja, com ciclo produtivo de cerca de 120 dias. Atualmente, 99% da produção mato-grossense é destinada à exportação, reforçando o perfil internacional da cultura.
A escolha das variedades também acompanha as exigências do mercado externo. Em Mato Grosso, predomina a variedade K3, voltada à produção de óleo. Já países asiáticos, como a China, demandam principalmente a K2 doce, que possui maior valor agregado. “O consumo de óleo de gergelim na China é muito superior ao de óleo de soja, o que amplia a demanda pelo produto brasileiro”, ressaltou César Miranda.
O fortalecimento do gergelim integra uma política mais ampla de diversificação da produção e agregação de valor no Estado. “Nosso objetivo é ampliar as opções para o produtor e criar um ambiente favorável à industrialização, inclusive com a Zona de Processamento de Exportação, que atrai novos investimentos”, concluiu o secretário.
O tema foi abordado por César Miranda em entrevista ao programa Força do Agro, da Revista Oeste, exibido nesta terça-feira.
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