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Nesta terça-feira (22), projetos criativos e sustentáveis ganharam destaque na XVII Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (MECTI), realizada no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. O evento faz parte da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (SNCT/MT) e reúne 125 trabalhos de professores e estudantes das redes pública estadual (Seduc) e técnica (Seciteci). As iniciativas abordam temas como redução de resíduos, infraestrutura urbana, preservação ambiental e inclusão digital, com resultados práticos e replicáveis em escolas, lares e serviços públicos.
Entre os destaques, cinco alunas do curso técnico em Análises Clínicas da ETEC de Cáceres desenvolveram um limpador natural com microrganismos eficientes (ME), em duas versões — para ralos e pias, e para superfícies. O produto, feito com substrato, açúcar e fermentação de 7 a 10 dias, reduz o uso de químicos agressivos.
“Buscamos desempenho adequado com menor custo”, explicou a estudante Jéssica Fernanda Batista. A professora Bethânia Carvalho ressaltou que a proposta evoluiu com novos testes: “Mantivemos a base com ME e ampliamos o uso para borrifadores e limpeza geral”.
Outro exemplo vem da Escola Arena, que apresentou o projeto Cultura Digital e Comunicação na Comunidade Escolar. Criado pelo professor Felipe Miranda, o trabalho começou com um estúdio de mídia estudantil e hoje avança para um espaço maker com impressoras 3D, robótica, realidade virtual e IA generativa. “A ideia é integrar tecnologias do cotidiano dos estudantes às práticas pedagógicas, com leitura crítica e uso responsável”, afirmou Felipe. O projeto já resultou em maior engajamento dos alunos e novas competências em comunicação digital.
Já a ETEC de Lucas do Rio Verde apresentou uma série de protótipos funcionais voltados à sustentabilidade. O EcoBus, por exemplo, propõe pontos de ônibus com materiais reaproveitáveis, telhado verde e captação de água da chuva. O BioConstrutor reaproveita talo de algodão no traço de blocos de alvenaria, reduzindo o uso de cimento. “Estamos padronizando os moldes e avaliando conforto térmico e custo real”, explicou o professor Gilson Santos.
Outros projetos incluem o Fósmico, robô de apoio ao combate a incêndios florestais; o Ecoplástico, que usa plástico triturado em misturas asfálticas; e o canudo comestível de amido de milho e proteína de soja, desenvolvido pela estudante Alannis Mazotti Almeida.
“Aprendi a interagir, a apresentar o projeto e a fazer o protótipo. Participar da Semana me dá vontade de continuar pesquisando mais e mais”, contou a jovem pesquisadora.
Os resultados dos testes mostram redução de impacto ambiental e aplicação direta em comunidades locais. Segundo Gilson, o segredo está no método e na troca de saberes: “Usamos o que temos no território e, com informação, propomos soluções que os estudantes podem testar e explicar à comunidade”.
A XVII MECTI reforça o papel da educação pública como incubadora de inovação, mostrando que organizar informação, testar hipóteses e compartilhar resultados também é tecnologia — e que Mato Grosso segue transformando ideias em soluções sustentáveis e acessíveis.
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