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Mato Grosso lidera combate à “paracoco” e garante tratamento gratuito a trabalhadores rurais

Mato Grosso lidera combate à “paracoco” e garante tratamento gratuito a trabalhadores rurais

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Mato Grosso está entre os seis únicos estados do Brasil que realizam a notificação compulsória da Paracoccidioidomicose (PCM), conhecida popularmente como “paracoco”, uma infecção fúngica que atinge, principalmente, trabalhadores rurais expostos ao solo contaminado. A prática, ainda pouco comum no país, permite o acesso gratuito ao tratamento pelo SUS e reforça a posição do estado como referência no enfrentamento da doença.

Além de Mato Grosso, apenas Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rondônia e, mais recentemente, São Paulo notificam oficialmente os casos ao Ministério da Saúde, contribuindo para o monitoramento e combate eficaz da enfermidade.

A pesquisadora Rosane Hahn, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), especialista na doença com mestrado e doutorado no tema, destaca que o registro das notificações é crucial para garantir o fornecimento dos medicamentos pelo Ministério da Saúde. O tratamento, segundo ela, é caro e inacessível para muitos trabalhadores rurais sem essa política de apoio.

Rosane coordena um projeto científico que visa o diagnóstico precoce da PCM em agricultores familiares da Baixada Cuiabana. Financiada pela Fapemat e apoiada pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), a iniciativa realiza ações educativas e coleta de sangue em comunidades rurais de Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Santo Antônio do Leverger, Nossa Senhora do Livramento, Jangada, Acorizal, Barão de Melgaço e Poconé.

A meta é alcançar 500 produtores rurais, dos quais 260 já foram testados. Na semana passada, 60 trabalhadores das comunidades do distrito do Aguaçu (Cuiabá) e da Gleba Resistência (Santo Antônio do Leverger) participaram das coletas. O encerramento da pesquisa está previsto para setembro, com os dados servindo de base para a publicação de um artigo científico de alcance internacional.

Doença silenciosa e perigosa

A Paracoccidioidomicose pode atingir diversos órgãos, como pulmões, pele, ossos, linfonodos e até o sistema nervoso central e genitália. A infecção ocorre por meio da inalação de esporos do fungo presentes no solo. Um dos maiores desafios no combate à doença é o fato de ela poder permanecer assintomática por vários anos, dificultando o diagnóstico.

A pesquisa liderada por Rosane utiliza a detecção de anticorpos como forma indireta de identificar precocemente a doença, possibilitando tratamento antes da evolução para quadros graves.

Em comunidades como a do Aguaçu, o trabalho de conscientização tem gerado impacto. Moradores relataram nunca ter ouvido falar da doença e passaram a adotar medidas preventivas, como o uso de máscaras durante o trabalho no campo.

Atendimento especializado

Os casos positivos identificados pela pesquisa serão encaminhados diretamente ao Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá, unidade referência no estado. Os pacientes terão acesso imediato ao tratamento, sem necessidade de passar por fila de regulação, garantindo rapidez e eficácia no atendimento.

Com essa iniciativa, Mato Grosso mostra seu compromisso com a saúde da população rural, unindo pesquisa científica, políticas públicas e assistência médica para enfrentar uma doença grave, porém ainda pouco conhecida no cenário nacional.

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