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Em Mato Grosso, mais de 500 pacientes que convivem com a doença falciforme recebem acompanhamento no MT Hemocentro, o único banco de sangue público do Estado e referência no Sistema Único de Saúde (SUS) para este tipo de atendimento.
Nesta quinta-feira (19.6), é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, data que reforça a importância dos cuidados contínuos e destaca os avanços alcançados na assistência oferecida pela unidade. Para o secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, a data promove uma reflexão fundamental sobre o impacto do tratamento na qualidade de vida dos pacientes.
A enfermidade é causada por uma alteração genética que modifica o formato das hemácias (glóbulos vermelhos). Ao invés de circulares, essas células adquirem aspecto de foice em situações como esforço físico, estresse, frio, desidratação, traumas e infecções. Com essa deformidade, a passagem pelas veias e artérias se torna difícil, comprometendo a oxigenação adequada dos órgãos e levando a episódios de má circulação.
Segundo o diretor do MT Hemocentro, Fernando Henrique Modolo, o acompanhamento precoce e com equipe multidisciplinar é essencial para conter as complicações da doença, que podem comprometer diversos órgãos, reduzir a capacidade laboral e diminuir a expectativa de vida.
O protocolo de atendimento do MT Hemocentro inclui consultas regulares com uma equipe composta por hematologista, cardiologista, ortopedista, nutricionista, especialista em dor, enfermeiro, fisioterapeuta e assistente social, sempre com foco no acolhimento humanizado e no cuidado integral.
Além do atendimento clínico, a unidade oferece serviços de apoio diagnóstico e terapêutico, aconselhamento genético, ambulatório para transfusões e infusões de medicamentos, além do exame doppler transcraniano, que monitora o fluxo sanguíneo nas principais artérias cerebrais. Desde maio de 2024, 175 exames doppler transcraniano já foram realizados em pacientes falciformes.
Outro recurso importante no tratamento é o uso da hidroxiureia, medicamento quimioterápico que ajuda a reduzir o quadro inflamatório da doença, sendo oferecido quando há indicação médica.
Paciente desde a infância, Ediney Aparecido Costa, de 29 anos, morador de Várzea Grande, compartilhou sua rotina de tratamento no MT Hemocentro. Ele relatou que realiza sessões a cada 15 dias e, apesar das crises constantes de dor, enalteceu o trabalho da equipe. “Sinto dores nas articulações, inchaço nos pés, dor de cabeça intensa e já sofri um AVC em 2022, mas o atendimento que recebo é sempre de qualidade”, afirmou.
Entenda a Doença
A doença falciforme é um distúrbio hereditário e genético, caracterizado pela deformação dos glóbulos vermelhos, que perdem a elasticidade e dificultam o transporte de oxigênio para órgãos como cérebro, pulmões e rins. Sem o tratamento adequado, o paciente pode sofrer sérias complicações.
O diagnóstico precoce é realizado por meio do Teste do Pezinho na Triagem Neonatal e confirmado pelo exame de eletroforese de hemoglobina.
Entre os sintomas mais comuns estão: crises de dor, síndrome mão-pé, infecções frequentes, úlceras nas pernas, sequestro de sangue no baço, além de palidez, cansaço excessivo e icterícia.
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