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Em uma entrevista polêmica concedida nesta quinta-feira (17), o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, fez duras críticas ao sistema municipal de educação e lançou ataques diretos contra professores, sindicatos e grupos que chamou de “classes militantes”. O gestor afirmou que, se os resultados da rede pública não melhorarem, irá ampliar parcerias com instituições privadas e reduzir gradualmente a atuação dos sindicatos na área educacional.
Segundo Brunini, seria mais vantajoso e econômico transferir os estudantes da rede pública para escolas privadas, onde, de acordo com ele, o desempenho é superior. O prefeito baseou sua fala em dados alarmantes: mesmo com um investimento anual de R$ 1 bilhão na educação municipal — o que equivale a cerca de R$ 13,3 mil por aluno, valor superior ao praticado em muitas instituições particulares — Cuiabá ocupa apenas a 19ª posição entre as capitais brasileiras no ranking de desempenho escolar.
Desempenho abaixo do esperado
Nas redes sociais Brunini destacou que 46% dos alunos que ingressam na rede estadual não dominam o básico em matemática e português, e quase metade das crianças não está alfabetizada na idade correta. Em tom crítico, citou como exemplo que muitas crianças não sabem responder quanto é 4 × 4, uma operação fundamental que, segundo ele, deveria ser aprendida até o 5º ano.
Sindicatos e professores sob ataque
Em sua fala, o prefeito acusou os sindicatos de se destacarem apenas na cobrança de direitos, mas falharem em apresentar resultados concretos. Disse ainda que recebeu relatórios apontando possíveis fraudes na gestão anterior das unidades escolares e afirmou que não haverá tolerância com práticas que comprometam a qualidade do ensino.
Ameaça clara: “Se os índices não melhorarem, vamos intensificar as parcerias com a iniciativa privada e reduzir progressivamente a interferência de sindicatos e militantes nas decisões educacionais”, declarou Brunini.
Fim da aprovação automática
Os professores também foram alvo. Brunini afirmou que alguns profissionais tratam a sala de aula como espaço de lazer, onde prevalecem brincadeiras em vez do aprendizado. Para reverter esse cenário, promete implantar avaliações rigorosas e acabar com a chamada ‘nota simbólica’, que permite a aprovação automática dos alunos.
Ao ser questionado sobre a responsabilidade dos baixos índices, o prefeito isentou a gestão atual e culpou o modelo de aprovação adotado no passado, reforçando que a Prefeitura não mais permitirá que estudantes avancem de ano sem alcançar a nota mínima exigida.
Conflito com professores aumenta
As declarações de Brunini ocorrem em um momento delicado, em que os professores cobram o pagamento do terço constitucional de férias. O prefeito atribuiu a ausência do benefício à gestão anterior, dizendo que a Lei Orçamentária de 2024 foi aprovada sem contemplar o repasse e que a mudança teria sido motivada por interesses em emendas parlamentares.
Apesar das críticas e tensões, Brunini destacou que sua gestão está investindo cerca de R$ 100 milhões na reforma de escolas, e deixou claro que a fase de conivência com maus resultados chegou ao fim.
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