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Documentos inéditos revelados nesta segunda-feira (4) por jornalistas brasileiros e americanos mostram que o Supremo Tribunal Federal (STF) utilizou postagens em redes sociais como base para manter presos manifestantes do 8 de janeiro, inclusive aqueles que não participaram diretamente dos atos.
A apuração foi publicada pelo portal Public.news, que reúne os mesmos profissionais por trás da série investigativa Vaza Toga: Michael Shellenberger, David Ágape e Eli Vieira, com edição de Alex Gutentag. De acordo com eles, grandes veículos de imprensa nacionais e internacionais teriam se recusado a divulgar o material por medo de retaliações.
Segundo os documentos, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes teria criado uma força-tarefa paralela para realizar “varreduras digitais” e elaborar relatórios secretos com base em opiniões políticas. Os alvos eram rotulados como “positivos” caso apresentassem postagens críticas a Lula, mesmo que fossem antigas ou sem relação com os atos golpistas.
Um dos casos destacados envolve um ambulante de 54 anos, que teria chegado ao QG do Exército após os atos, apenas para vender camisetas. Mesmo assim, ele ficou preso por quatro meses, com base em tuítes de 2018 contra o ex-presidente Lula. Já uma pastora de São Paulo foi condenada a 17 anos de prisão por ter ido apenas “orar em Brasília”, segundo o relatório.
Mensagens internas revelam que Alexandre de Moraes só autorizava a soltura dos detidos após análise de suas redes sociais:
“A PGR pediu LP (liberdade provisória) para eles, mas o ministro não quer soltar sem antes a gente ver nas redes se tem alguma coisa”, escreveu a chefe de gabinete do ministro em um grupo de WhatsApp.
A apuração também aponta que a força-tarefa teria acessado ilegalmente o banco de dados biométrico do TSE (GestBio) para cruzar informações pessoais com perfis em redes sociais. O procedimento teria violado o Código de Processo Penal, ignorado prazos legais e contado com interferência de ativistas e agências de checagem infiltradas em grupos privados.
Juristas ouvidos pelo Public consideraram as ações ilegais e inconstitucionais. O advogado André Marsiglia afirmou que “o órgão que julga não pode ser o mesmo que investiga”. Já o ex-ministro do STF, Marco Aurélio Mello, classificou as penas como “próprias para assassinos, não para críticos do governo”.
Veja alguns dos prints:

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