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Nesta quinta-feira (5.3), a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Showdown para desarticular um núcleo familiar ligado a uma facção criminosa que atua na região norte do Estado com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar on-line.
Ao todo, são cumpridas 31 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas. As determinações foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e executadas nas cidades de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.
As medidas foram autorizadas com base em investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), em Cuiabá, e pela Delegacia de Alta Floresta. A ação conta ainda com o apoio operacional do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

Liderança foragida e atuação familiar
O principal alvo é uma mulher, identificada como Angelica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como Angeliquinha, apontada como líder da facção em Alta Floresta. Considerada de alta periculosidade, ela está foragida desde agosto de 2025, quando fugiu do Presídio Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Além dela, também são investigados o pai Paulo Felizardo, a filha Kauany Beatriz e o marido dela Guilherme Laureth. Conforme a apuração, o grupo atuava como operador financeiro da organização criminosa, administrando empresas e movimentando recursos oriundos do tráfico.
Os investigadores identificaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, bem como a utilização de negócios formais para dar aparência lícita ao dinheiro ilícito.

Empresas de fachada e jogos on-line
De acordo com o inquérito, em um período de um ano e sete meses, o núcleo familiar teria movimentado mais de R$ 20 milhões, valores considerados incompatíveis com as atividades declaradas.
Entre os mecanismos de lavagem, estariam empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas. Outra estratégia envolvia o uso de plataformas digitais de jogos de azar, cujos supostos ganhos eram apresentados como receita legítima.
A investigação também aponta um braço do esquema ligado ao garimpo irregular em Alta Floresta. Sob comando da filha da líder, o pai seria responsável por gerenciar a atividade e manter um bar com exploração de prostituição nas proximidades de Nova Bandeirantes.
Segundo a polícia, o espaço funcionaria como base para extorsões contra garimpeiros e tráfico de drogas, enquanto o ouro extraído poderia ser utilizado para ocultar e reinserir recursos ilegais no mercado formal.
Ostentação nas redes sociais
A filha e o genro da investigada exibiam uma rotina marcada por aquisição de imóveis, veículos de luxo e viagens internacionais. A jovem mantém um perfil em rede social com mais de 40 mil seguidores, onde compartilhava detalhes da vida pessoal e bens adquiridos.
Referência ao pôquer
O nome da operação faz alusão a uma jogada de pôquer em que os participantes revelam as cartas na mesa — referência direta ao uso de jogos de azar no esquema de lavagem.
A ofensiva integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026, dentro da Operação Pharus e do programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento das facções criminosas em Mato Grosso.
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