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Nesta quinta-feira (16.4), a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Supremo Engano, com foco em desarticular um grupo criminoso envolvido com o tráfico de drogas na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande. As investigações apontam que o principal suspeito utilizava indevidamente uma decisão do Supremo Tribunal Federal e documentos falsos para simular doença, com o objetivo de obter autorização judicial para cultivar e transportar entorpecentes.
Durante a ação, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão, expedidos pelo Poder Judiciário após representação da autoridade policial. As ordens foram executadas em endereços nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande, onde materiais e documentos foram apreendidos para aprofundar as investigações.
A operação é resultado de um trabalho investigativo conduzido ao longo de meses pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), que reuniu provas por meio de apreensões, oitivas, perícias técnicas e outras diligências. As apurações revelaram uma estrutura criminosa organizada, voltada ao cultivo, distribuição e intermediação de drogas, com destaque para a produção de cannabis com alta concentração de THC.
Um dos principais investigados já havia sido preso anteriormente. Na ocasião, foram encontrados em sua residência grande quantidade de drogas, insumos para cultivo e estufas montadas para produção indoor, evidenciando a atuação reiterada e profissional do esquema.
As investigações também mostraram que o suspeito distorcia uma decisão do STF — que trata da descriminalização do porte de até 40 gramas de maconha para uso pessoal — como forma de justificar suas ações. Em redes sociais, ele chegou a declarar que consumiria a substância em frente à sede da Denarc, invocando a decisão como respaldo para sua conduta.
No entanto, conforme apurado, a atuação ia além do uso individual, configurando, em tese, tráfico de drogas e associação para o tráfico. O investigado também buscava obter, de forma fraudulenta, um habeas corpus preventivo, utilizando documentação falsa para simular condição de saúde, com a intenção de garantir autorização judicial para cultivo e transporte de entorpecentes sem fiscalização.
Segundo o delegado Eduardo Ribeiro, o grupo adotava estratégias sofisticadas, como a substituição do conteúdo de produtos legalizados por drogas cultivadas ilegalmente, mantendo as embalagens originais para driblar a fiscalização policial.
As apurações identificaram ainda a participação de outros envolvidos, responsáveis pela comercialização dos entorpecentes e pela movimentação financeira da atividade ilícita, o que reforça a existência de uma associação estruturada para o tráfico, conforme previsto na legislação.
O nome da operação faz referência ao uso de mecanismos aparentemente legais — como decisões judiciais e autorizações médicas — para encobrir práticas criminosas.
A ação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026, dentro da Operação Pharus, vinculada ao programa Tolerância Zero contra facções criminosas. Também faz parte da Operação Nacional da Renorcrim, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que promove a atuação integrada das polícias civis em todo o país.
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