A partir de um processo colaborativo, a peça une dramaturgia, pesquisa, experimentação cênica, e promete emoção e encantamento ao público
Por Beatriz Saturnino – Da Assessoria de Imprensa
Entre ensaios, experimentações e muita pesquisa, no espetáculo “Memória Alice Realidade Rosa” as personagens deixaram de existir apenas nas páginas escritas por Flávia Pires para ganhar corpo, voz, movimento e identidade própria por meio da criação compartilhada entre direção, técnica e elenco. Muito além da interpretação de um texto, o processo transformou Danielle Souziel (Alice), Jasmyne Vitória (Memória) e Eli Poema (Realidade) em coautoras da construção cênica de uma obra que investiga memória, identidade, relações familiares e saúde emocional. A peça terá entrada gratuita e estreia em setembro, no Cine Teatro Cuiabá.
Inspirado no livro homônimo da dramaturga Flávia Pires, o espetáculo parte da história de Alice, uma mulher que busca compreender a própria trajetória enquanto transita entre as lembranças que a acolhem e a realidade que a impulsiona a seguir em frente. Ao lado dela estão Memória e Realidade, personagens que representam forças opostas e complementares, conduzindo a protagonista por uma travessia de descobertas, perdas, afetos e reconstrução.
O espetáculo convida o público a percorrer um território onde passado e presente se encontram entre lembranças da personagem Alice, a refletir sobre identidade, pertencimento e as marcas que as experiências deixam em “quem somos”.
“Vai falar sobre aquilo que escolhemos lembrar e tudo o que permanece vivo dentro de nós. Memória Alice Realidade Rosa nasceu da vontade de indagar como as lembranças nos moldam”, revela a diretora geral do espetáculo, Nariel Iatskiu.
Foi desse encontro, entre Flávia e Nariel, que surgiram os diálogos e as travessias entre a escrita e a direção para conduzir a equipe na criação de um espetáculo que impactará o público.
A exemplo da paisagem de trilha sonora única, construída pelo sonoplasta RabeCaju, que será capaz de ampliar emoções e acompanhar a jornada de Alice. Entre elas, está a construção de Rosa, personagem que ganha vida na voz de Vera Capilé. Cantora, compositora, instrumentista e poetisa, a artista é uma das grandes referências da arte mato-grossense.
“Rosa, mãe de Alice, demorou pra aceitar a vida como é. Ela morava nos próprios devaneios e sua filha vive a fábula da criança adulta que conversa com a memória e a realidade atrás de um amor que jamais recebeu…”, descreve um pequeno trecho da dramaturgia poética de Flávia Pires.
ATRIZES X PERSONAGENS
As três atrizes, selecionadas a partir de uma audição pública realizada em março de 2026, participaram ativamente da elaboração das personagens. O processo buscou reunir artistas com diferentes trajetórias, dispostas a construir coletivamente uma obra pautada pela pesquisa, escuta e sensibilidade.
O trabalho não se limitou aos ensaios tradicionais. A construção aconteceu por meio de pesquisas, improvisações, leituras da dramaturgia, experimentações corporais e discussões sobre as emoções e os conflitos vividos por cada personagem. Assim, Alice, Memória e Realidade foram sendo moldadas pouco a pouco, em um diálogo permanente entre dramaturgia, direção e elenco.
Com formação acadêmica na área do Teatro, voltada à ancestralidade, além de professora e pesquisadora, Danielle Souziel é mestra e doutoranda em História pela UFMT, e construiu uma Alice sensível e intensa. A protagonista conduz o público por uma jornada em busca da própria identidade em uma atuação que desbrava camadas emocionais na narrativa.
Na pele de Memória, Jasmyne Vitória desenvolveu uma personagem afetiva, acolhedora e profundamente ligada às lembranças que permanecem vivas ao longo da existência. Atriz, psicóloga, cantora e compositora, ela incorporou à criação elementos da música, do movimento e da expressão corporal para dar forma à presença simbólica da memória em cena.
Já, Eli Poema, construiu Realidade, personagem que confronta Alice com o tempo presente, as escolhas e os desafios da vida. Sua interpretação equilibra firmeza e sensibilidade, tornando a Realidade uma presença constante na trajetória da protagonista e um contraponto essencial às lembranças representadas por Memória.
A PRODUÇÃO
Nariel Iatskiu reuniu uma equipe de artistas majoritariamente feminina e de diferentes trajetórias, para transformar palavras em imagens, corpos, luz e música. A criação cênica também contou com Déa Okamura, na Direção de Arte, e Priscila Freitas, na Iluminação. A coordenação de produção é de Alessandra Grandini, Assessoria de Comunicação por Beatriz Saturnino, Mídias Sociais de Bruna Maciel e Letícia Guia, e Fotografia de Jú Queiroz.
Durante meses de criação o grupo construiu uma linguagem visual que utiliza contrastes entre o preto e branco e explosões de cores para traduzir o universo das personagens em diferentes formas de perceber a vida. A memória aparece abundante, afetiva e colorida; a realidade surge mais objetiva, reduzida, quase sem cor. Entre essas duas forças está Alice, buscando compreender quem é e quais lembranças escolhe carregar.
O espetáculo está na fase final de ensaios e junto com a sua estreia terá o lançamento do livro Memória Alice Realidade Rosa. O projeto é uma realização do Instituto INCA – Inclusão, Cidadania e Ação, com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
SERVIÇO
A estreia acontece nos dias 17 e 18 de setembro, sempre às 20h, no Cine Teatro Cuiabá, com aquisição de ingresso gratuito. No dia 17 de setembro, às 18h, o público também poderá participar do lançamento do livro “Memória Alice Realidade Rosa”, de Flávia Pires, obra que inspirou a montagem teatral, com duração de 50 minutos e classificação indicativa Livre.
Mais informações no perfil oficial, pelo Instagram @memoriaalicerealidaderosa.
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