Nesta sexta-feira (31), o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso destacou a redução histórica dos focos de calor registrados no Estado durante o mês de julho de 2026, conforme levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O período terminou com o menor índice da série histórica iniciada em 1998, representando uma queda de 78,15% em relação à média dos últimos 28 anos.
Segundo os dados do INPE/BD Queimadas, Mato Grosso contabilizou 746 focos de calor em julho, enquanto a média histórica para o mês é de 3.414 registros. O resultado também representa uma redução de aproximadamente 26,65% na comparação com julho de 2025, quando haviam sido registrados 1.017 focos, até então o menor número para o período.
Apesar do cenário positivo, o Batalhão de Emergências Ambientais (BEA) reforça que o momento ainda exige atenção, principalmente devido ao avanço da estiagem, com condições que favorecem a propagação do fogo, como baixa umidade do ar, altas temperaturas e ventos intensos.
Do total de focos registrados em julho, 60% ocorreram em áreas federais, como terras indígenas e assentamentos, locais onde o combate é de responsabilidade de órgãos do Governo Federal, já que o Estado não possui autorização para atuar diretamente nessas regiões.
Para o comandante do BEA, tenente-coronel BM Heitor Alves de Souza, os números refletem o resultado das ações de prevenção, fiscalização e conscientização realizadas ao longo do primeiro semestre, mas não significam redução dos riscos durante a estiagem.
“Os números demonstram que as ações preventivas vêm contribuindo para a redução dos focos de calor, mas não significam que o risco tenha diminuído. O período de estiagem exige cuidado redobrado, principalmente porque as condições climáticas favorecem a propagação do fogo. A colaboração da população é fundamental para evitarmos ocorrências de grandes proporções”, afirmou.
O comandante também reforçou a importância da população denunciar queimadas ilegais pelos telefones 190, da Polícia Militar, e 193, do Corpo de Bombeiros, além de respeitar as regras estabelecidas durante o período proibitivo do uso do fogo.
Os dados mostram ainda que maio e junho registraram números superiores de focos de calor, com 831 e 1.440 ocorrências, respectivamente. Já julho apresentou queda significativa, indicando reflexos das medidas preventivas adotadas pelos órgãos responsáveis.
Período proibitivo segue até novembro
O período proibitivo para o uso do fogo em Mato Grosso começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026. Durante esse intervalo, fica suspensa a utilização de queimadas para limpeza e manejo de áreas rurais em todo o território estadual.
O uso irregular do fogo pode resultar em crime ambiental, além de provocar impactos à saúde da população, segurança das comunidades e preservação do meio ambiente.
Estado amplia estrutura para combate aos incêndios
Para a temporada de estiagem deste ano, o Governo de Mato Grosso prevê investimento de R$ 134 milhões em ações de combate aos incêndios florestais e ao desmatamento ilegal.
O planejamento operacional conta com a mobilização diária de 483 bombeiros militares, 105 brigadistas estaduais e apoio de brigadistas municipais. A estrutura inclui ainda 80 viaturas, 28 máquinas, seis aeronaves do Grupamento de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM) e da Defesa Civil, um helicóptero do Ciopaer e um veículo anfíbio SHERP.
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