Banco de Leite Humano do hospital é responsável por coletar, processar e distribuir o leite humano doado para recém-nascidos; também oferece atendimento especializado às mães
Da Assessoria
O “Agosto Dourado” é o mês dedicado à conscientização e ao incentivo do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, além da continuidade da amamentação até os dois anos ou mais. No Hospital Universitário Júlio Müller, integrante da HU Brasil (HUJM-UFMT/HU Brasil), o Banco de Leite Humano funciona como ponto de apoio às mães, desempenhando um papel fundamental na promoção, proteção e no apoio ao aleitamento materno.
De acordo com a nutricionista Marli Eliane Uecker, coordenadora e responsável técnica do Banco de Leite Humano do HUJM-UFMT/HU Brasil, o leite materno possui anticorpos e outras substâncias que ajudam a proteger os bebês contra infecções e reduzem o risco de alergias e de algumas doenças crônicas ao longo da vida, como diabetes e hipertensão arterial. “A amamentação permite, também, o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê, pois promove contato físico e emocional direto. É segura e está sempre disponível, na temperatura ideal. Já é estéril e não precisa de preparo”, analisa a profissional.
É normal sentir dor ao amamentar?
Embora seja comum que algumas mulheres relatem sensibilidade nas mamas nos primeiros dias após o parto, a amamentação não deve causar dor intensa ou persistente. Quando há dor, geralmente existe alguma causa que pode ser identificada e tratada.
As principais são:
- Pega incorreta do bebê: é a causa mais frequente. Quando o bebê abocanha apenas o mamilo, podem surgir dor e fissuras, isso geralmente ocorre quando o bebê não está bem-posicionado. Solução: corrigir a posição e garantir que o bebê abocanhe boa parte da aréola, e não apenas o mamilo.
- Fissuras nos mamilos: pequenas rachaduras que causam dor durante a mamada. Solução: corrigir a pega, manter os mamilos limpos e secos e passar algumas gotas de leite materno sobre a região após as mamadas.
- Ingurgitamento mamário (mamas muito cheias): provoca dor e endurecimento das mamas. Solução: amamentar com frequência, fazer ordenha de um pouco de leite antes da mamada, se necessário, e aplicar compressas frias após as mamadas para aliviar o desconforto.
- Mastite: inflamação da mama, geralmente acompanhada de vermelhidão, dor intensa, febre e mal-estar. Solução: continuar amamentando, esvaziar bem a mama e procurar atendimento médico.
- Candidíase mamária: infecção por fungos que causa dor intensa, ardor ou queimação nos mamilos. Solução: procurar um profissional de saúde para avaliação e tratamento da mãe e do bebê, quando indicado.
Segundo Marli, caso a dor persista ou venha acompanhada de febre, vermelhidão intensa, secreção ou piora dos sintomas, é importante procurar orientação de um profissional de saúde ou de um Banco de Leite Humano. “O tratamento adequado costuma aliviar a dor e permitir que a amamentação continue com mais conforto”, esclarece.
Formas de aumentar a produção de leite
A produção de leite materno funciona, principalmente, pelo princípio de oferta e procura. Ou seja, quanto mais o bebê mama e esvazia as mamas, maior tende a ser a produção de leite.
Para tentar induzir uma maior produção de leite materno, as mães podem seguir os seguintes passos: amamentar com frequência, sempre que o bebê demonstrar sinais de fome e sem horários rígidos; garantir uma boa pega e posição do bebê, o que permite um esvaziamento mais eficiente das mamas; esvaziar as mamas a cada mamada, fazendo ordenha manual ou usando bomba após a amamentação; evitar o uso de mamadeiras e chupetas nas primeiras semanas, já que isso pode reduzir a frequência das mamadas; e manter uma rotina equilibrada, com alimentação saudável, boa hidratação e descanso sempre que for possível. “Reduzir o stress também é essencial, buscando o apoio da família e dos profissionais de saúde, pois o bem-estar da mãe favorece a amamentação”, alerta a nutricionista.
Se a produção continuar baixa ou houver dificuldade persistente, deve-se procurar um profissional de saúde ou um banco de leite humano para avaliação e orientação adequada.
Existe leite materno fraco ou forte?
Ainda de acordo com Marli, essa ideia não passa de um mito. O leite materno é produzido com a composição adequada para atender às necessidades nutricionais do bebê em cada fase do seu desenvolvimento. Portanto, é normal que o aspecto dele mude durante a mamada. “No início da mamada, o leite costuma ser mais claro e rico em água, ajudando a hidratar o bebê e matar sua sede. No final, pode ficar mais espesso e amarelado, pois contém maior quantidade de gordura, fornecendo mais energia e promovendo a saciedade”, exemplifica a especialista.
A cor do leite também pode mudar conforme a fase da amamentação e a alimentação da mãe, ficando mais branco, amarelado e até levemente azulado, sem que isso signifique perda de qualidade. “O que mais importa é observar se o bebê está ganhando peso adequadamente, mama com frequência e de forma eficaz, urina e evacua normalmente, está ativo e se desenvolve de acordo com a idade”, recomenda Marli.
Apoio e acompanhamento
Em caso de dificuldades, mães e familiares podem procurar apoio nos seguintes serviços:
- Atenção Básica (Unidade Básica de Saúde – UBS ou Estratégia Saúde da Família): oferece acompanhamento da mãe e do bebê, orientação sobre amamentação e identificação de problemas.
- Bancos de Leite Humano: prestam assistência especializada, ensinam técnicas de amamentação, corrigem a pega e orientam sobre ordenha e armazenamento do leite.
- Serviços de Fonoaudiologia: avaliam e tratam dificuldades de sucção, deglutição e alterações orais que possam prejudicar a amamentação.
- Médicos pediatras e obstetras: avaliam e tratam condições como mastite, infecções ou outras situações que necessitem de cuidados médicos.
- Enfermeiros e consultores em amamentação: orientam sobre posição, pega correta, manejo da dor e aumento da produção de leite.
Banco de Leite Humano do HUJM-UFMT
Porta aberta para a população da região, o Banco de Leite Humano do HUJM-UFMT é responsável por coletar, processar e distribuir o leite humano doado para recém-nascidos, especialmente prematuros e internados, além de oferecer atendimento especializado às mães.
Os profissionais do Banco orientam sobre a técnica correta de amamentação, ajudam a corrigir a pega e a posição do bebê, ensinam sobre a ordenha e o armazenamento do leite e auxiliam na prevenção e no tratamento de dificuldades como fissuras nos mamilos, ingurgitamento mamário e mastite. Esse suporte aumenta as chances de sucesso da amamentação e contribui para a continuidade do aleitamento materno.
De forma geral, os Bancos de Leite apoiam a amamentação e incentivam a doação de leite humano, permitindo que o leite excedente de mães doadoras beneficie bebês que não podem ser amamentados temporariamente por suas próprias mães. Assim, trata-se de um importante serviço de saúde, pois promove o aleitamento materno, fortalece a saúde materno-infantil e contribui para a diminuição da morbimortalidade neonatal, especialmente entre recém-nascidos prematuros e de baixo peso.
Sobre a HU Brasil
O Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), faz parte da Rede HU Brasil desde novembro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
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