Nesta segunda-feira (19), o programa Fila Zero na Cirurgia, criado pelo Governo de Mato Grosso em abril de 2023, chegou à marca de 872.642 procedimentos realizados até 5 de outubro de 2026, entre cirurgias eletivas, consultas especializadas e exames diagnósticos. O investimento acumulado no período alcançou R$ 351 milhões, com a expectativa de chegar a 900 mil atendimentos até o fim deste ano.
Do total contabilizado, 119.749 foram cirurgias eletivas, 275.036 consultas especializadas e 477.857 exames diagnósticos. A iniciativa busca diminuir a espera no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de parcerias com prefeituras, consórcios intermunicipais de saúde e instituições públicas e privadas.
O Estado repassa recursos para os procedimentos contemplados pelo programa, enquanto os parceiros também podem utilizar os incentivos para aprimorar outros serviços oferecidos à população.
Tempo médio de espera cai de 77 para 22 dias
Segundo o secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, o Fila Zero é uma das principais estratégias para reduzir a demanda reprimida na rede estadual. O atendimento inclui consultas de avaliação, exames pré e pós-operatórios e a realização de cirurgias eletivas.
Conforme o secretário, o tempo médio de espera por um procedimento caiu de 77 para 22 dias, uma redução de aproximadamente 72%. A proposta é agilizar o diagnóstico e o encaminhamento dos pacientes, além de ampliar a capacidade de atendimento em diferentes regiões de Mato Grosso.
Entre as cirurgias mais realizadas estão a facoemulsificação com implante de lente dobrável, utilizada no tratamento da catarata, com 31.478 procedimentos. Na sequência aparecem a cirurgia de pterígio, com 12.218 atendimentos; a capsulotomia a laser YAG, indicada para tratar a chamada catarata secundária, com 8.677; a retirada da vesícula biliar, com 5.746; e as cirurgias de hérnia, com 5.229 procedimentos.
Na área de diagnóstico, a tomografia computadorizada lidera o volume de exames, com 101.071 procedimentos de abdômen, crânio, pelve e tórax. As ressonâncias magnéticas somaram 64.932 exames, enquanto a fundoscopia e a biomicroscopia de fundo de olho totalizaram 44.503.
Atendimento regional reduz deslocamentos de pacientes
O superintendente de Programação, Controle e Avaliação da Secretaria de Estado de Saúde, Jessé Mamede Untar, destacou que a participação dos municípios e consórcios tem ampliado a oferta de serviços nos polos regionais. A estratégia permite que pacientes tenham acesso a atendimentos de média e alta complexidade sem precisar se deslocar até Cuiabá em todos os casos.
A meta do governo estadual é encerrar 2026 com 900 mil procedimentos realizados, ampliando o acesso e buscando tornar a assistência mais rápida e humanizada.
Tabela SUS Mato Grosso amplia cobertura e recursos
Desde 1º de maio, a Secretaria de Estado de Saúde adotou a Tabela SUS Mato Grosso, que incorporou 95 procedimentos à cobertura com base nas demandas identificadas pela regulação estadual e pelo próprio programa. Com a atualização, o número de procedimentos de média e alta complexidade contemplados chegou a 556.
A nova tabela também reajustou os valores pagos pelos serviços e garantiu orçamento próprio de R$ 200 milhões para o Fila Zero 3.0 em 2026.
O planejamento inclui ainda R$ 100 milhões para credenciamento da rede privada, por meio de parcerias com unidades ambulatoriais e hospitalares, e outros R$ 100 milhões para a realização de mutirões permanentes de cirurgias e procedimentos na rede própria e ambulatorial da Secretaria.
De acordo com a pasta, o acompanhamento da produção permite que os repasses estaduais aos prestadores sejam liberados em até 15 dias úteis.
Em 2026, consultas e exames ambulatoriais, incluindo avaliações pré e pós-operatórias, representam 90% do volume de atendimentos, enquanto as cirurgias eletivas correspondem aos 10% restantes. Para a Secretaria, a proporção demonstra a importância de identificar problemas e concluir as avaliações clínicas antes da realização dos procedimentos cirúrgicos.
Paciente relata recuperação após cirurgia bariátrica
Entre as pessoas atendidas está Maria Aparecida Costa Araújo, de 46 anos, moradora de Glória D’Oeste. Ela passou por uma cirurgia bariátrica em setembro, no Hospital Metropolitano, unidade estadual localizada em Várzea Grande, por meio do Fila Zero na Cirurgia.
A paciente elogiou a rapidez do atendimento e o acolhimento recebido desde a chegada ao hospital até o período pós-operatório. Segundo ela, todo o processo foi concluído em menos de 60 dias.
Maria Aparecida também relatou que, no dia de sua internação, havia outros oito pacientes aguardando a realização da cirurgia bariátrica do tipo bypass. Ela destacou o tratamento recebido pelas equipes e a atenção prestada durante as diferentes etapas do atendimento.
Com uma comorbidade relacionada a um problema no fígado, a moradora afirmou que a cirurgia tem apresentado resultados positivos e que já perdeu 6,1 quilos. Para ela, porém, o principal objetivo do procedimento vai além da perda de peso: é recuperar a saúde e melhorar a qualidade de vida.
Fila Zero 3.0 registra aumento na média mensal
Entre maio e setembro de 2026, período posterior à implantação da nova Tabela SUS Mato Grosso, o Fila Zero 3.0 contabilizou 135.044 exames, 82.046 consultas e 23.294 cirurgias.
A média mensal de procedimentos passou de 40.503, entre janeiro e abril, para 48.077 entre maio e setembro, o que representa um crescimento de 18,7%.
Ao todo, 88 municípios mato-grossenses já aderiram ao programa, que reúne unidades públicas, instituições privadas e filantrópicas, além de associações participantes por meio de consórcios de saúde.
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