Com informações da HU Brasil
Nesta segunda-feira (17), o Agosto Verde chama a atenção para a importância da conscientização e prevenção contra a leishmaniose, doença infecciosa causada por um protozoário e transmitida pela picada do mosquito-palha.
O inseto pode adquirir o protozoário ao picar um animal infectado, principalmente cães, e posteriormente transmitir o agente causador da doença para seres humanos. A campanha Agosto Verde, criada em 2012, busca ampliar o conhecimento da população sobre os riscos, sintomas, tratamento e formas de prevenção.
A médica Kalliny Arouca, residente em infectologia do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil), explica que existem duas principais formas de leishmaniose no Brasil.
A leishmaniose tegumentar afeta principalmente a pele, podendo também atingir as mucosas. Já a leishmaniose visceral apresenta caráter sistêmico e pode comprometer órgãos como fígado, baço e medula óssea, sendo considerada uma forma potencialmente grave da doença.
Doença também está relacionada a condições sociais
A ocorrência da leishmaniose está associada a fatores ambientais e sociais. Por isso, a enfermidade é considerada uma doença socialmente determinada, atingindo com maior frequência populações expostas a condições de vulnerabilidade.
Pessoas que vivem em moradias precárias e com acesso limitado ou inexistente ao saneamento básico estão entre as mais vulneráveis.
Entre os principais sinais que devem servir de alerta estão feridas na pele que não cicatrizam, febre prolongada, perda de peso e aumento do abdômen provocado pelo crescimento do fígado e do baço.
Diagnóstico e tratamento
A identificação da doença depende da forma de leishmaniose apresentada pelo paciente e envolve a combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais.
O tratamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser definido considerando o tipo da doença, as características do paciente e a existência de outras condições de saúde.
“O tratamento vai depender de acordo com a forma da doença, as características do paciente e presença de outras condições. É um desafio pelo fato de alguns tratamentos serem prolongados, podem exigir aplicações e acompanhamento médico e causar efeitos adversos. Por isso, é fundamental que o paciente não interrompa por conta própria e o mantenha até a conclusão”, orienta Kalliny.
Prevenção depende de cuidados individuais e coletivos
As medidas preventivas têm como principal objetivo reduzir o contato com o mosquito-palha. Entre as recomendações estão o uso de repelente e roupas que cubram braços e pernas, além da utilização de telas e mosquiteiros, principalmente em regiões onde há transmissão da doença.
Também é importante manter os ambientes externos das residências limpos e evitar o acúmulo de matéria orgânica, que pode favorecer a presença do inseto.
“É importante que as pessoas sigam as orientações da vigilância sanitária em relação aos cães nas áreas de transmissão de leishmaniose visceral e procurem atendimento diante de feridas que não cicatrizam ou febre prolongada sem causa definida”, alerta a médica.
Sobre o HDT-UFNT/HU Brasil
O Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT) integra a Rede HU Brasil desde 2015. A estrutura faz parte da rede administrada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal criada pela Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC).
Atualmente, a Ebserh é responsável pela gestão de 47 hospitais universitários federais distribuídos em 25 unidades da federação.
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