Nesta terça-feira (22), uma ação conjunta entre a Polícia Civil de Mato Grosso e a Polícia Boliviana resultou na captura, em Santa Cruz de la Sierra, de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, apontada pelas investigações como uma das lideranças de uma facção criminosa com atuação no extremo norte de Mato Grosso.
A mulher estava foragida do sistema prisional desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Durante o período em que permaneceu escondida, ela passou a ser alvo de seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026.
Segundo as investigações, Angeliquinha exerceria influência sobre atividades criminosas principalmente em Alta Floresta e municípios da região, com envolvimento apontado em ações relacionadas ao tráfico de drogas, extorsões e exploração de atividades ilícitas em áreas de garimpo.
A investigada também possui mais de 260 anos de condenações acumuladas por diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.
Operação Showdown
Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown, com o objetivo de atingir o núcleo familiar ligado à investigada. Conforme a apuração, familiares davam suporte às atividades criminosas e auxiliavam na lavagem de dinheiro obtido pelo grupo.
A ofensiva resultou no cumprimento de 31 ordens judiciais, entre elas quatro prisões, sete buscas e apreensões, seis sequestros de veículos, quatro sequestros de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas.
As medidas foram autorizadas pela 5ª Vara Criminal de Sinop, a partir de investigação conduzida pela GCCO/Draco e pela Delegacia de Alta Floresta.
Entre os investigados estavam o pai, a filha e o genro de Angeliquinha, apontados como integrantes do núcleo familiar responsável pelo apoio à organização e pela movimentação de recursos de origem ilícita.
As diligências identificaram a movimentação de mais de R$ 20 milhões em cerca de um ano e sete meses, quantia considerada incompatível com a renda declarada pelos envolvidos. Segundo a investigação, empresas e outros negócios teriam sido utilizados para conferir aparência legal aos valores provenientes das atividades criminosas.
O grupo também é investigado por envolvimento com garimpo irregular em Alta Floresta e Nova Bandeirantes, atividade que, conforme a apuração policial, estaria relacionada a outros crimes, incluindo extorsão e tráfico de drogas.
Captura internacional
A localização da foragida em território boliviano foi possível por meio do trabalho de investigação e do compartilhamento de informações entre as forças de segurança dos dois países.
A operação contou com a participação da Gerência de Combate ao Crime Organizado, GCCO/Draco e Gerência Estadual de Polinter (Gepol), em conjunto com a Polícia Boliviana.
Com a captura, serão adotados os procedimentos legais para o retorno de Angeliquinha ao Brasil, onde deverá responder às ordens judiciais existentes contra ela.
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