Neste domingo (4), Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos) foram eleitas para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e vão integrar a 21ª Legislatura, que terá início em 2027. Com 100% das urnas apuradas, Samantha recebeu 57.900 votos, enquanto Alessandra conquistou 50.802 votos.
O resultado representa a volta de duas mulheres eleitas diretamente para mandatos titulares na ALMT ao mesmo tempo, algo que não acontecia desde as eleições de 2010. Naquele pleito, Luciane Bezerra e Teté Bezerra garantiram cadeiras na Casa para a 17ª Legislatura, entre 2011 e 2015.
Depois disso, nas eleições de 2014, 2018 e 2022, apenas Janaina Riva (MDB) conseguiu uma vaga como deputada estadual em cada uma das disputas.
A presença feminina na Assembleia também ocorreu de forma temporária durante a atual legislatura. Em julho de 2025, a ALMT chegou a registrar três mulheres exercendo o mandato simultaneamente: Janaina Riva, como titular, e as suplentes Professora Graciele e Valdeniria Dutra. Ao longo da 20ª Legislatura, também passaram pelo Parlamento como suplentes Sheila Klener, Sandy de Paula, Priscila Dourado e Marildes Ferreira.
Mulheres representam 34% das candidaturas
Nas eleições de 2026, 34% das candidaturas registradas em Mato Grosso foram de mulheres, percentual idêntico ao registrado no Estado nas eleições gerais de 2022. Apesar de representarem a maioria do eleitorado mato-grossense, a participação feminina entre os candidatos permaneceu próxima de um terço.
Com a eleição de Samantha e Alessandra, as mulheres ocuparão 8,3% das cadeiras da ALMT na próxima legislatura.
Aos 42 anos, Samantha do Abilio é designer de interiores e vereadora de Cuiabá. Ela foi eleita para a Câmara Municipal em 2024 e agora chega ao Legislativo estadual para cumprir seu primeiro mandato como deputada estadual.
Alessandra Ferreira, de 36 anos, é cirurgiã-dentista e empresária. Entre 2025 e 2026, comandou a Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social de Rondonópolis. A eleição deste ano marcou sua primeira disputa por um cargo eletivo.
Representatividade feminina
A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, chamou atenção para a diferença entre a participação feminina no eleitorado e a presença das mulheres nos cargos políticos.
“A gente tem 51% dos eleitores que são mulheres. E por que elas não podem ter uma representatividade? Então a gente tem que melhorar essa cultura, conversar mais, trocar nossas experiências e fazer com que esse número comece a crescer também”, afirmou.
Na avaliação da cientista política Christiany Fonseca, o aumento de candidaturas femininas não significa, necessariamente, maior presença das mulheres nos parlamentos. Segundo ela, fatores como acesso às estruturas partidárias, recursos financeiros, redes políticas e condições de competitividade influenciam diretamente o resultado das candidaturas.
“É preciso conseguir entrar, competir, vencer e depois permanecer na política”, resumiu Christiany.
Com a eleição deste ano, Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira voltarão a representar a presença de duas mulheres eleitas simultaneamente na ALMT, 16 anos depois de Luciane Bezerra e Teté Bezerra. Os novos mandatos começam em 1º de fevereiro de 2027.
Compartilhe!



Publicar comentário