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Ensino bilíngue fortalece inclusão de alunos surdos na rede municipal de Cuiabá

Ensino bilíngue fortalece inclusão de alunos surdos na rede municipal de Cuiabá

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Nesta quinta-feira (23) e sexta-feira (24), datas em que são celebrados o Dia Nacional da Educação de Surdos e o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), Cuiabá destaca avanços na educação inclusiva com foco no ensino bilíngue para estudantes surdos.

Na rede municipal, o modelo adotado reconhece a Libras como primeira língua (L1) e o português escrito como segunda (L2), garantindo acesso ao conteúdo escolar de forma adaptada e respeitando as especificidades linguísticas dos alunos.

Modelo segue legislação e valoriza diferenças

A proposta é amparada pela Lei nº 14.191/2021, que trata a surdez como uma diferença linguística e cultural, e não como limitação. Na prática, isso assegura equidade no processo de aprendizagem e maior inclusão dentro das salas de aula.

Segundo a coordenadora técnica de educação especial, Neuraides Ribeiro Silva, o modelo vem sendo implementado de forma gradual e alinhado às diretrizes nacionais. “A rede tem estruturado esse atendimento de maneira integrada ao ensino regular, com apoio de serviços especializados”, explicou.

Estratégias vão além da tradução

A professora e especialista em educação especial, Alessandra Andrade Silva, destaca que o ensino bilíngue envolve uma proposta pedagógica ampla. “A Libras é a base da aprendizagem, enquanto o português escrito é desenvolvido como segunda língua, garantindo formação integral”, afirmou.

Na prática, crianças da educação infantil até o 2º ano contam com professores bilíngues em sala. Já do 3º ao 5º ano, o acompanhamento ocorre com intérpretes de Libras e instrutores no contraturno, mantendo o mesmo currículo, porém com adaptações linguísticas.

Atuação conjunta é essencial

O trabalho integrado entre professores, intérpretes e famílias é considerado fundamental para o sucesso do modelo. A professora bilíngue e intérprete Emanuelle Freire Galvão Ponce ressalta que o papel do intérprete vai além da tradução.

“Ele atua como mediador da comunicação entre professor, aluno e colegas, garantindo compreensão em todas as disciplinas”, explicou.

Importância do acesso precoce

Especialistas destacam que o contato com a Libras desde os primeiros anos é decisivo para o desenvolvimento. Crianças que têm acesso antecipado à língua de sinais apresentam melhor desempenho na alfabetização e maior autonomia escolar.

Desafio contínuo por inclusão

A Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL) segue com o desafio de ampliar o acesso e garantir uma educação realmente inclusiva, envolvendo toda a comunidade escolar.

As datas reforçam não apenas a relevância da Libras, mas também o compromisso com uma educação que valorize a diversidade e assegure oportunidades iguais para todos os estudantes.

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