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Feldner reage novamente e questiona escolha de Danilo Trento para suplência de Janaína

Nesta quarta-feira (16), a delegada aposentada Ana Cristina Feldner voltou a se manifestar contra a decisão de Janaína Riva (MDB) de retirá-la da primeira suplência na disputa pelo Senado. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Feldner criticou a escolha do empresário Danilo Berndt Trento para ocupar a vaga e levantou questionamentos sobre o histórico de investigações envolvendo empresas ligadas a ele.

A ex-delegada colocou em dúvida os critérios utilizados para definir o novo integrante da chapa e citou investigações parlamentares que mencionaram negócios relacionados ao empresário.

“Qual o critério de escolha? Por que esse empresário, com empresa em São Paulo, de intermediação de negócios, que aparece em três CPIs, é o escolhido para ser o primeiro suplente?”, questionou.

Em outro momento do vídeo, Feldner citou informações relacionadas ao PCC e voltou a questionar a indicação de Trento para uma vaga de suplente, considerando que ele poderá assumir o mandato no Senado caso Janaína Riva deixe o cargo para ocupar outra função.

Empresas ligadas a Trento são citadas em apurações

Documentos do Senado mostram que a T5 Participações, empresa da qual Trento foi sócio até 2024, foi alvo de requerimento para quebra de sigilos bancário e fiscal aprovado pela CPMI do INSS. A comissão também aprovou pedidos envolvendo os dados financeiros do próprio empresário.

Reportagem do UOL apontou ainda que a T5 realizou um pagamento de R$ 90 mil à Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), empresa que, segundo a publicação, era investigada por supostas ligações com integrantes do PCC.

O levantamento também citou uma transferência de aproximadamente R$ 700 mil feita por Trento ao BK Bank, instituição que apareceu nas investigações da Operação Carbono Oculto, relacionadas a suspeitas de utilização do sistema financeiro em operações de lavagem de dinheiro.

As informações fazem parte de apurações e não representam, por si só, condenação criminal.

Empresário já foi alvo de CPI

Trento ganhou notoriedade nacional durante a CPI da Pandemia, em 2021, quando ocupava o cargo de diretor de relações institucionais da Precisa Medicamentos. Ele prestou depoimento aos senadores durante as investigações.

Ao final dos trabalhos, o relatório da comissão recomendou o indiciamento de Trento por fraude em contrato, organização criminosa e improbidade administrativa.

Mais recentemente, o empresário também passou a aparecer nas investigações relacionadas aos descontos considerados irregulares em benefícios do INSS.

A Polícia Federal registrou que Trento teria pago uma passagem aérea para Virgílio Antônio de Oliveira Filho, então procurador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS.

No parecer final do relator da CPMI, posteriormente rejeitado pelo colegiado, foi proposta a responsabilização de Trento por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa, além da indicação dele como suposto operador financeiro.

O empresário também recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra a quebra de seus sigilos bancário e fiscal pela CPI do Crime Organizado. O caso foi distribuído ao ministro Gilmar Mendes, mas acabou considerado prejudicado após o encerramento dos trabalhos da comissão, em abril.

Troca de suplentes provocou reação

A primeira suplência da chapa havia sido inicialmente destinada a Ana Cristina Feldner, que posteriormente foi substituída por Aluizio Lima. Na época, a delegada aposentada afirmou que foi retirada da composição sem aviso prévio e declarou ter se sentido “usada, enganada e desrespeitada”.

Janaína Riva contestou a versão apresentada por Feldner.

Na sequência, Aluizio Lima e Ibrahim Zaher deixaram a chapa no sábado (12). Com as novas alterações, Danilo Trento passou a ocupar a primeira suplência, enquanto Rafael Yamada Torres foi escolhido para a segunda vaga.

A mudança ocorreu às vésperas do encerramento do prazo para alterações na composição da chapa.

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