Nesta semana, o Governo de Mato Grosson informou que pacientes com câncer de mama atendidas no Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso podem passar pela retirada do tumor e pela reconstrução e simetrização das mamas durante o mesmo procedimento cirúrgico. A unidade também realiza a análise imediata do tecido retirado, técnica que ajuda a equipe médica a avaliar a extensão da doença e definir as próximas etapas do tratamento ainda no centro cirúrgico.
Administrado pelo Einstein Hospital Israelita, o hospital é a primeira unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso a contar com um patologista dentro do centro cirúrgico para realizar a chamada congelação intraoperatória. O exame permite verificar se há sinais de tumor nas margens do tecido removido e se os linfonodos da axila estão comprometidos, contribuindo para decisões mais precisas durante a operação e podendo evitar a necessidade de uma segunda cirurgia.
A mastologista Melissa Lins, responsável técnica pela linha cirúrgica, explica que a análise durante o procedimento auxilia na definição da conduta médica, inclusive sobre a necessidade de retirar linfonodos atingidos pelo câncer. Com isso, a equipe também pode realizar a cirurgia reparadora na mesma ocasião, reduzindo o tempo de tratamento e favorecendo a recuperação da autoestima das pacientes.
O atendimento oferecido pelo Hospital Central abrange diferentes etapas do cuidado, desde a avaliação inicial até o acompanhamento após a cirurgia. Quando há necessidade de tratamentos complementares, como quimioterapia, as pacientes são encaminhadas para outras unidades do SUS em Mato Grosso.
O acesso ao serviço começa pela Central Estadual de Regulação, responsável pelo encaminhamento das pacientes. Na primeira consulta, a equipe avalia se o caso exige intervenção cirúrgica oncológica. Confirmada a indicação, são realizados os exames necessários para o planejamento da operação, entre eles mamografia, ultrassonografia, ressonância magnética, biópsia por agulha grossa guiada por ultrassom e imuno-histoquímica.
A oferta de exames de imagem foi ampliada com a implantação do serviço de mamografia no fim de setembro. Até 15 de outubro, foram realizados 385 exames. As cirurgias de mastologia começaram em junho e, no mesmo período de referência, chegaram a 60 procedimentos realizados.
A equipe especializada é composta por três mastologistas, um radiologista mamário, um patologista e profissionais de enfermagem. Além das cirurgias oncológicas, a unidade oferece acompanhamento pós-operatório e realiza cirurgias reparadoras para pacientes com gigantomastia sem relação com câncer, desde que apresentem laudo ortopédico que comprove alteração funcional.
Segundo Melissa Lins, o suporte continua após a alta hospitalar, com acompanhamento das equipes clínica e cirúrgica. O serviço também disponibiliza enfermagem especializada para orientar os cuidados com os curativos, que são trocados semanalmente durante o primeiro mês após a operação.
A experiência de uma paciente de Colniza, município localizado a 1.057 quilômetros de Cuiabá, exemplifica o atendimento. Identificada pelas iniciais M. C. S., ela procurou assistência depois de perceber um caroço na mama no fim de agosto. Após realizar uma ultrassonografia em uma unidade de saúde da região, recebeu indicação para fazer biópsia e foi encaminhada ao Hospital Central.
A paciente passou pela retirada do tumor, reconstrução mamária e procedimentos de simetrização e redução das mamas. Como havia realizado cirurgia bariátrica e tinha mamas volumosas, a intervenção também contemplou a redução, conforme seu relato.
Entre a suspeita inicial e a realização da cirurgia, o intervalo foi de aproximadamente 20 dias. Ela conta que conseguiu realizar os exames no próprio hospital e que os procedimentos foram feitos na mesma ocasião.
O atendimento ocorre durante o Outubro Rosa, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de mama e à importância do diagnóstico precoce. A diretora do Hospital Central, Alessandra Bokor, destaca que a unidade reúne estrutura para investigação diagnóstica e tratamento cirúrgico, oferecendo suporte às pacientes que precisam enfrentar a doença.
Einstein Hospital Israelita
Responsável pela administração do Hospital Central, o Einstein Hospital Israelita tem sede em São Paulo e foi fundado em 1955. A instituição atua nas áreas de assistência, pesquisa, inovação e ensino e, conforme o ranking The World’s Best Hospitals 2026, elaborado pela revista Newsweek em parceria com a Statista Inc., ocupa a 16ª posição mundial e a primeira colocação na América Latina.
A organização também atua há 25 anos no Sistema Único de Saúde, por meio da gestão de unidades públicas e da execução de projetos vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
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