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Nesta quinta-feira (2.7), a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a segunda fase da Operação Golden, com o cumprimento de 14 ordens judiciais voltadas ao avanço das investigações sobre uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. A nova etapa concentra esforços na desarticulação do núcleo financeiro do grupo investigado.
As determinações judiciais, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias Polo de Cuiabá, incluem cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, oito bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros, limitados a R$ 283,5 mil, além de uma medida cautelar diversa da prisão. As ações ocorrem em Várzea Grande, Pontes e Lacerda, Tangará da Serra e também no município de Itabela, na Bahia.
A ofensiva é resultado das investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), com apoio da Delegacia Regional de Pontes e Lacerda, da Delegacia de Polícia de Tangará da Serra e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil da Bahia.
Entre os alvos está um detento custodiado em São Paulo, preso por força de mandado expedido pela Justiça de Mato Grosso. Conforme as investigações, o suspeito possui extenso histórico criminal, com registros por tráfico de drogas, homicídio e outros delitos.
A atual fase da Operação Golden busca atingir diretamente a estrutura econômica da facção, interrompendo o fluxo financeiro que sustenta as atividades criminosas e dificultando a continuidade das operações ilícitas.
A primeira etapa da operação, realizada em 13 de março de 2025, resultou no cumprimento de 18 ordens judiciais, incluindo prisões preventivas, buscas e apreensões e bloqueios patrimoniais contra investigados pelos mesmos crimes.
As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de um casal envolvido com o tráfico de drogas. No decorrer das diligências, os policiais identificaram que o grupo utilizava contas bancárias de terceiros e um estabelecimento comercial para esconder e movimentar recursos obtidos com a venda de entorpecentes.
Na continuidade dos trabalhos da primeira fase, foram apreendidos mais de R$ 692 mil em dinheiro, além de R$ 222 mil em cheques, durante buscas realizadas em Cáceres. Também houve bloqueio de expressivos valores encontrados nas contas bancárias dos investigados.
O aprofundamento das investigações permitiu identificar novos integrantes da facção e ampliar o mapeamento da rede financeira utilizada para movimentar recursos ilícitos. Os levantamentos apontaram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados e a utilização de empresa de fachada para ocultar valores.
Segundo a Denarc, uma empresa registrada em nome de um dos investigados, sem histórico empresarial relevante e com renda oficialmente modesta, movimentou mais de R$ 600 mil em apenas dois meses, sem apresentar justificativa econômica compatível.
As apurações também revelaram transferências financeiras entre integrantes do grupo criminoso, incluindo pessoas com antecedentes por tráfico de drogas e suposta ligação com facções.
De acordo com o delegado André Rigonato, responsável pelas investigações, também foram identificados repasses financeiros para a empresa investigada, que apresentou indícios de funcionamento incompatíveis com a atividade declarada. Para a Polícia Civil, os elementos reforçam a suspeita de utilização de pessoas físicas e jurídicas para ocultar e dissimular recursos provenientes do tráfico de drogas.
Com base nessas evidências, a Polícia Civil representou pelas novas medidas cautelares autorizadas pelo Poder Judiciário. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares, computadores, documentos e outros materiais que passarão por análise pericial, contribuindo para o avanço das investigações.
Conforme destacou o delegado, as medidas patrimoniais têm o objetivo de impedir a ocultação ou dissipação de ativos, preservar provas e garantir eventual reparação de danos e o perdimento de bens ao término da ação penal.
As investigações continuam em andamento e novos envolvidos poderão ser identificados, assim como outras medidas judiciais poderão ser adotadas conforme o avanço das apurações.
A Operação Golden faz parte do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, integrando a Operação Pharus, desenvolvida dentro do Programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento das facções criminosas em todo o Estado.
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