Nesta terça-feira (20), o turismo de observação da onça-pintada no Pantanal mato-grossense está no centro de um levantamento que busca dimensionar os benefícios econômicos e sociais da atividade e identificar caminhos para fortalecer a conservação ambiental. O projeto “Transformando a onça-pintada em um ativo para o Pantanal” é desenvolvido pela Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS) em parceria com a WWF-Brasil.
O estudo abrange um trecho de 145 quilômetros entre a Transpantaneira e o Parque Estadual Encontro das Águas, região reconhecida pela presença de onças-pintadas e pela movimentação de turistas interessados em observar os animais em seu habitat natural.
A proposta é identificar quanto essa modalidade turística movimenta na economia local, como a renda gerada é distribuída entre os diferentes setores e quais condições podem favorecer o crescimento sustentável da atividade.
Iniciado em outubro de 2026, o projeto tem conclusão prevista para março de 2027. Uma das etapas é uma pesquisa aberta ao público, disponível desde 13 de outubro até 9 de novembro, por meio de canais on-line e redes sociais.
Além do questionário pela internet, a iniciativa promove atividades presenciais entre os dias 18 e 22 de outubro, em Porto Jofre e ao longo da Transpantaneira. Nesse período, representantes do projeto conversam com moradores, gestores públicos municipais, guias, condutores e outros profissionais que dependem direta ou indiretamente do turismo na região.
O levantamento também considera a opinião de turistas, operadores, empreendimentos de hospedagem e proprietários rurais. Entre os temas avaliados está a disposição dos visitantes para contribuir financeiramente com uma eventual taxa de conservação ambiental.
Para a vice-presidente da Associação TOVS, Suzi Camargo, a popularidade do turismo de observação já conquistou espaço, mas ainda é necessário compreender melhor o alcance econômico da atividade e seus efeitos sobre as comunidades pantaneiras.
“Queremos entender como o valor da onça viva pode se traduzir em conservação e benefícios para quem vive no território, quais são benefícios e como eles se distribuem”, explicou.
O secretário adjunto de Turismo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Luis Carlos Nigro, também destaca a importância da participação dos empresários e demais trabalhadores do setor para que o diagnóstico retrate as condições reais do turismo no Pantanal.
“Quanto mais informações forem reunidas, melhor poderemos compreender as demandas, identificar oportunidades e planejar ações que fortaleçam o turismo na região. Esse levantamento pode contribuir para tornar Mato Grosso um destino cada vez mais competitivo, valorizando nossas riquezas naturais e gerando novas oportunidades de emprego e renda”, afirmou Nigro.
Os resultados poderão orientar decisões tanto do poder público quanto da iniciativa privada, oferecendo subsídios para identificar dificuldades, oportunidades de investimento e melhorias na organização do setor.
Outro objetivo é compreender como o dinheiro movimentado pelo turismo circula entre os diferentes segmentos da economia regional, permitindo avaliar se os benefícios chegam também às pessoas que vivem e trabalham no Pantanal.
“Essa escuta é fundamental: o crescimento do turismo precisa ser acompanhado pela ampliação das oportunidades e pela valorização de quem vive e trabalha no Pantanal”, ressaltou Suzi Camargo.
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