![]()
A defesa da tese de doutorado da promotora de Justiça Lindinalva Corrêa Rodrigues contou com a participação do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, em evento realizado no auditório da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso. O trabalho foi aprovado pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e abordou o tema “Eles não param de matar: o feminicídio como exercício de soberania sobre o corpo feminino em face da ineficiência do Estado contemporâneo”.
A avaliação da pesquisa ficou a cargo das professoras doutoras Amin Haddad Campos e Maria Cristina Theobaldo, como integrantes externas da banca, além de Patrícia Silvia Silva Osório e Aline Wendy Papi Nunes Siqueira, representantes da banca interna. A orientação foi conduzida pelo professor doutor Mário César Silva Leite.
Durante a apresentação, Abilio Brunini ressaltou que estudos acadêmicos voltados ao combate da violência contra a mulher são fundamentais para fortalecer políticas públicas e aperfeiçoar mecanismos de proteção às vítimas.
Segundo o prefeito, o feminicídio representa uma das formas mais extremas de violência de gênero e exige a união de conhecimento técnico, medidas governamentais eficazes e ações articuladas para garantir segurança e acolhimento às mulheres.
Ao comentar a presença do gestor municipal, Lindinalva destacou a relevância do apoio institucional. Para ela, a participação do prefeito simboliza o comprometimento da administração municipal com a pauta de proteção feminina.
Na pesquisa, a promotora examinou três episódios marcantes da história recente do Brasil. Entre eles está o assassinato de Ângela Diniz, em 1976, caso que impulsionou o movimento nacional conhecido pelo lema “Quem Ama Não Mata”. Também foi analisada a morte da atriz Daniela Perez, em 1992, que contribuiu para mudanças legislativas relacionadas aos crimes hediondos. O terceiro exemplo abordado foi o assassinato de Elisa Samúdio, em 2010, utilizado para discutir fragilidades na rede de proteção e na prevenção da violência contra mulheres.
Além da análise desses casos, o estudo reuniu informações sobre feminicídio, violência doméstica e medidas protetivas em âmbito estadual e nacional. A tese defende o fortalecimento de políticas públicas voltadas à prevenção, ao acolhimento e à proteção das vítimas.
A administração municipal apresentou iniciativas voltadas ao atendimento das mulheres em diferentes áreas, como saúde, assistência social, habitação, mobilidade urbana, segurança, qualificação profissional e geração de renda.
Entre os projetos citados estão as Salas Acolher, implantadas em Unidades de Saúde da Família, que oferecem suporte multiprofissional, escuta especializada e encaminhamento para a rede de proteção. Outro serviço destacado foi a Casa de Amparo, estrutura que funciona ininterruptamente para receber mulheres sob ameaça ou em situação de risco decorrente da violência doméstica e familiar.
Dados apresentados indicam que, entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, a unidade acolheu 401 pessoas, sendo 194 mulheres e 207 crianças e adolescentes.
Também foi mencionado o programa Cuiabá Acolhe Mulheres, coordenado pela Secretaria Municipal da Mulher, responsável por disponibilizar orientação jurídica, acompanhamento psicológico, acolhimento especializado e atendimento por meio da Van Rosa, unidade móvel integrada à rede de proteção.
Outra ação da gestão é o projeto Solidariedade em Ação, destinado ao apoio financeiro de crianças que perderam as mães em decorrência do feminicídio. Entre 2025 e janeiro de 2026, os repasses somaram R$ 344,6 mil.
Acompanhando a defesa da tese estiveram representantes da Secretaria Municipal da Mulher, além da secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Hélida Vilela; do diretor-geral da Limpurb, Felipe Wellaton; e da secretária municipal de Comunicação, Ana Karla.
Share this content:



Publicar comentário