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Prefeito nega ao ser apontado como peça central em suposto esquema de R$ 29 milhões; Vídeo

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Na quinta-feira (09), vieram a público detalhes da decisão do desembargador Juvenal Pereira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que autorizou a segunda fase da Operação Gomorra. A investigação aponta o prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes de Oliveira (União Brasil), como figura central de um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que somam mais de R$ 29 milhões.

Na decisão, o magistrado classificou o caso como um “cenário de espoliação sistêmica do erário municipal”, destacando indícios de superfaturamento em licitações, contratos irregulares e possível desvio de recursos públicos.

A operação foi deflagrada no dia 1º de julho pelo Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal (Naco Criminal), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), com apoio da Polícia Civil, da Controladoria-Geral do Estado (CGE) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo a investigação, Alexandre Lopes teria exercido papel estratégico nas supostas irregularidades envolvendo os contratos nº 091/2024, 010/2024, 006/2024 e 113/2024, todos firmados por meio de adesão (“carona”) a atas de registro de preços que, conforme os investigadores, apresentariam vícios.

Relatórios produzidos pelo Grupo Operacional Permanente (GOP) apontam um prejuízo mínimo de R$ 1.023.454,33, identificado até o momento com base nos Relatórios Técnicos nº 014, 021 e 023/2025.

Entre os exemplos de suposto superfaturamento citados na investigação está a compra de uma torneira por R$ 1.625,00, embora o item tivesse valor de mercado estimado em cerca de R$ 75, representando um sobrepreço superior a 2.100%.

De acordo com o Naco, o prefeito pode ter utilizado sua posição para permitir a execução dos contratos sem fiscalização adequada, deixando de impedir irregularidades como o abastecimento de veículos particulares com recursos públicos, o pagamento por locação de veículos supostamente inexistentes e despesas relacionadas à manutenção de bens que não pertenciam ao patrimônio municipal.

As investigações também apuram o desvio de aproximadamente 70 mil litros de combustível para pessoas sem vínculo com a administração pública, além de pagamentos considerados irregulares em contratos de locação e manutenção.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Campo Verde, na residência do prefeito e em imóveis de outros investigados, além de medidas de quebra de sigilos telemático e fiscal, afastamento cautelar de servidores públicos e indisponibilidade de bens.

Também são investigados o secretário municipal de Obras, Rubens Anunciação Júnior, e a servidora Olivete Gardim, apontados como responsáveis pela formalização de contratos sem planejamento técnico. Os fiscais Almir da Silva Limas e Carlos Roberto Pimenta são suspeitos de atestar serviços que não teriam sido executados e de validar pagamentos de peças supostamente superfaturadas.

Além dos agentes públicos, empresas e empresários também foram atingidos por medidas de indisponibilidade de bens, conforme determinação judicial.

As medidas, segundo o TJMT, têm como objetivo aprofundar as investigações, reunir provas e esclarecer a eventual participação de agentes públicos e particulares nas supostas irregularidades envolvendo contratos administrativos e processos licitatórios.

Prefeito de Campo Verde afirma que colabora com investigações e nega ser peça central em suposto esquema

O prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes de Oliveira (União Brasil) divulgou uma nota pública em que reafirma o compromisso com a transparência, a verdade e a população, após a divulgação de informações relacionadas à segunda fase da Operação Gomorra, que apura supostas irregularidades em contratos administrativos do município.

Na manifestação, o prefeito afirma que, desde o início das investigações, determinou total colaboração com os órgãos responsáveis, colocando à disposição todos os documentos, dados e informações solicitados.

Segundo Alexandre Lopes, a interpretação de que ele seria o “ponto central” das denúncias não corresponde ao conteúdo dos autos. De acordo com a nota, o documento faz referência ao prefeito apenas por ocupar o cargo de chefe do Poder Executivo e ser o responsável pela administração municipal, condição que o coloca naturalmente no centro da estrutura administrativa.

O gestor também declarou que eventuais excessos, distorções ou interpretações equivocadas serão contestados pelos meios legais, defendendo que a investigação transcorra com responsabilidade, equilíbrio e respeito aos fatos, sem julgamentos antecipados.

Por fim, Alexandre Lopes reiterou que sua gestão continuará pautada pela ética, responsabilidade e respeito à população de Campo Verde, reforçando o compromisso de colaborar com o andamento das apurações.

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