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Produção de água mineral entra no radar da ALMT e empresa expõe desafios do setor

Nesta semana, a Câmara Setorial Temática (CST) da Mineração da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) ampliou as discussões sobre a atividade mineral no Estado e passou a ouvir também representantes de um segmento que, embora faça parte da cadeia, nem sempre é lembrado quando o assunto é mineração: a produção de água mineral.

A proposta é reunir empresários, especialistas e integrantes do setor produtivo para identificar os principais obstáculos enfrentados pelas empresas e elaborar medidas capazes de estimular o crescimento da atividade em Mato Grosso.

Entre os empreendimentos apresentados durante as discussões está a Água Sapoti, instalada em Chapada dos Guimarães, a aproximadamente 70 quilômetros de Cuiabá. A empresa familiar é administrada pela médica e empresária Paulete Maria Dossena Grando, juntamente com as filhas, Letícia e Rafaela.

A relação da família com o negócio começou em 1991, quando foi adquirida uma propriedade localizada a cerca de 18 quilômetros da área urbana de Chapada. No terreno, os familiares encontraram uma cachoeira e, posteriormente, análises técnicas identificaram a presença de água mineral naturalmente fluoretada.

A descoberta, porém, não significou o início imediato da produção. Foram necessários anos de procedimentos e adequações até que o recurso pudesse ser explorado comercialmente. O processo de exploração teve início em 2006, enquanto a indústria começou a funcionar efetivamente somente em 2015.

Ao apresentar a trajetória da empresa, Paulete destacou que a burocracia, os exames laboratoriais, a documentação, a infraestrutura e os custos logísticos estão entre os principais desafios enfrentados ao longo dos anos.

A empresária resumiu as dificuldades encontradas durante o processo: “Temos que ajustar todos os dias, porque, quando você pensa que superou uma questão, surge outra”.

Atualmente, a Água Sapoti fabrica garrafões de 20 litros, copos e embalagens PET, oferecendo produtos com e sem gás. A operação mantém aproximadamente 20 trabalhadores diretamente envolvidos na produção.

A estrutura, entretanto, ainda está longe de atingir seu potencial máximo. Segundo a empresa, somente entre 25% e 30% da capacidade instalada é utilizada atualmente. Com a utilização de aproximadamente 75% da estrutura, a estimativa é de que a operação possa alcançar cerca de 100 empregos diretos.

Outro obstáculo apontado está relacionado aos custos de transporte e dos insumos, fatores que acabam dificultando uma expansão mais acelerada da produção e da distribuição.

A empresa pretende ampliar gradualmente sua presença no mercado, com o objetivo de fortalecer a marca em diferentes regiões de Mato Grosso e, posteriormente, buscar espaço também no Mercosul.

Para Paulete, a aproximação com o Poder Público por meio da CST representa uma oportunidade para discutir os gargalos enfrentados pelo segmento e buscar caminhos para ampliar os investimentos.

“Apesar de todos os desafios, hoje temos a atenção do Poder Público, que nunca tivemos antes com a CST, e acreditamos que essa oportunidade de diálogo fará a diferença para esse futuro que queremos conquistar”, afirmou.

Espaço para ouvir quem produz

Para o presidente da ALMT, deputado estadual Max Russi (Podemos), e presidente e idealizador da CST da Mineração, o diálogo permite ao Legislativo conhecer diferentes realidades e buscar soluções para o setor.

“Mato Grosso tem um potencial mineral enorme e precisamos conhecer toda essa cadeia. Quando falamos em mineração, estamos falando de diferentes atividades, inclusive da água mineral. A CST tem justamente essa função: ouvir quem produz, entender onde estão os entraves e buscar caminhos para que esse potencial possa gerar desenvolvimento, emprego e renda de forma responsável”, afirmou Max.

Para a vice-presidente da CST da Mineração, Tais Paula Costa Leite, conhecer experiências como a da Sapoti aproxima o debate da realidade enfrentada pelos empreendedores.

“Da água mineral às demais atividades da mineração, a intenção é colocar diferentes setores à mesa e construir, a partir do diálogo, propostas que permitam a Mato Grosso aproveitar melhor suas riquezas naturais, agregar valor à produção e gerar novas oportunidades”, concluiu.

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