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Nesta terça-feira, a Polícia Civil de Mato Grosso autuou em flagrante três pessoas investigadas por envolvimento em crimes de homicídio qualificado consumado, homicídio qualificado tentado, tráfico de drogas e participação em organização criminosa no município de Bom Jesus do Araguaia.
As prisões foram realizadas após diligências conduzidas pela equipe da Delegacia de Ribeirão Cascalheira em conjunto com a Polícia Militar. A investigação começou depois que uma das vítimas conseguiu escapar da ação criminosa e procurar ajuda das forças de segurança.
Entre os presos estão uma mulher de 40 anos e dois homens, de 35 e 28 anos. Segundo a Polícia Civil, o grupo possui ligação com facção criminosa e atuava impondo intimidação e controle territorial na região da Vila Planalto.
Vítimas passaram por “triagem” antes da execução
Conforme as investigações, o crime ocorreu na noite de segunda-feira, quando José Inácio de Jesus Brito e um colega foram até um imóvel conhecido como “Biqueira da Luciana” para comprar drogas.
No local, as vítimas teriam sido submetidas a uma espécie de “triagem” criminosa, com verificação de celulares, ameaças armadas e cárcere privado.
De acordo com a apuração policial, após encontrarem no celular de uma das vítimas uma fotografia interpretada como possível ligação com facção rival, os suspeitos acionaram um integrante apontado como “disciplina” da organização criminosa.
A vítima foi levada até as margens da BR-158, onde foi executada com um tiro na cabeça. O colega também foi levado ao local, mas conseguiu fugir em direção a uma área de lavoura enquanto disparos eram efetuados.
Suspeito tentou destruir provas
Após o crime, policiais civis e militares iniciaram buscas que resultaram na localização de um homem e uma mulher apontados como participantes diretos da ação criminosa.
As diligências continuaram até a identificação do terceiro suspeito, apontado como “disciplina” da facção na cidade. Segundo a polícia, ao ser abordado, ele tentou destruir o próprio aparelho celular colocando fogo no dispositivo para ocultar provas e dificultar as investigações.
Durante a operação, os policiais apreenderam drogas, celulares danificados e outros materiais relacionados à investigação. No imóvel utilizado como ponto de venda de entorpecentes, também foram encontradas porções de drogas embaladas para comercialização.
As equipes ainda reuniram vestígios de sangue, materiais usados no cárcere das vítimas e outros elementos considerados importantes para a investigação.
Os três suspeitos foram encaminhados à delegacia, onde foram interrogados pelo delegado Victor Donizete de Oliveira Pereira e autuados pelos crimes de integrar organização criminosa ultraviolenta, homicídio qualificado consumado, homicídio qualificado tentado e outros delitos relacionados.
Os dois primeiros presos também responderão por tráfico de drogas. Já o suspeito apontado como “disciplina” da facção foi autuado ainda por fraude processual devido à destruição do celular.
Lei Antifacção
Além dos crimes já investigados, os suspeitos também foram enquadrados no novo crime de domínio social estruturado por organização criminosa ultraviolenta, previsto na Lei Antifacção nº 15.358/2026, sancionada em março deste ano.
Segundo a Polícia Civil, a pena pode chegar a 40 anos de prisão.
“Ficou demonstrado que a violência praticada e os homicídios não foram episódios isolados, mas parte de um contexto mais amplo de atuação faccionada ultraviolenta na Vila Planalto/Arno”, afirmou o delegado Victor Donizete.
A Justiça converteu a prisão em flagrante dos investigados em prisão preventiva. As investigações seguem para identificar outros possíveis envolvidos no caso.
A ação integra a Operação Pharus, desenvolvida dentro do Programa Tolerância Zero da Polícia Civil de Mato Grosso, voltado ao combate às facções criminosas em todo o estado.
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