Na sexta-feira (28), Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como “Sarinha da Toyota”, permaneceu presa após passar por audiência de custódia, um dia depois de se entregar à Polícia Civil em Sorriso (397 km de Cuiabá). Durante o procedimento, a investigada permaneceu em silêncio.
Vitória é apontada pelas investigações como uma das principais integrantes de um esquema de desvio de veículos, fraudes comerciais, associação criminosa e lavagem de dinheiro, que teria movimentado aproximadamente R$ 50 milhões em cerca de um ano. Ela também é investigada por outros crimes, incluindo golpes e furtos.
O advogado Willian Puhl, que atua na defesa da jovem, explicou que a audiência de custódia teve como objetivo comunicar o cumprimento do mandado de prisão preventiva. Segundo ele, não houve análise do pedido de revogação da prisão.
Ainda na sexta-feira, a defesa ingressou com um habeas corpus na tentativa de reverter a prisão preventiva.
Operação Pátio Paralelo
A investigação ganhou força na quarta-feira (26), quando a Polícia Civil deflagrou a Operação Pátio Paralelo, em Sorriso. A ação apura um grupo suspeito de envolvimento em desvio de veículos, fraudes comerciais, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
A apuração é conduzida pela Delegacia Municipal de Sorriso, por meio do Núcleo de Combate ao Crime de Estelionato e Lavagem de Dinheiro, após os investigadores identificarem inconsistências financeiras e comerciais em operações realizadas por uma concessionária da cidade.
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos teriam utilizado a estrutura e a credibilidade da empresa para conquistar clientes durante aproximadamente um ano. A própria concessionária aparece como principal vítima identificada na investigação.
Até o momento, entre 15 e 20 clientes teriam sido prejudicados. O prejuízo já constatado ultrapassa R$ 2 milhões, mas pode aumentar com a identificação de novas vítimas e a análise de outras operações.
Conforme a investigação, o esquema envolvia principalmente a negociação de veículos usados. Clientes que adquiriam carros novos entregavam seus automóveis antigos como parte do pagamento.
Os investigadores suspeitam que, em vez de os veículos seguirem o fluxo comercial normal, os automóveis eram retirados da operação da concessionária e encaminhados para outras garagens ligadas ao grupo.
Com isso, os valores correspondentes aos carros entregues pelos clientes não seriam devidamente abatidos da entrada das novas negociações, conforme teria sido combinado.
Além dos veículos, a Polícia Civil identificou indícios de desvio de valores pagos diretamente pelos clientes. Os recursos teriam sido encaminhados para contas de pessoas físicas e empresas relacionadas aos investigados.
A investigação aponta ainda o uso de contas próprias, de terceiros e de pessoas jurídicas para receber e movimentar o dinheiro. Algumas empresas também teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos por meio das supostas fraudes.
Mais de 20 medidas judiciais
A Justiça autorizou o cumprimento de mais de 20 medidas judiciais no âmbito da operação. Entre elas estão um mandado de prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, nove afastamentos de sigilos bancários e cinco bloqueios de ativos financeiros.
Durante as buscas, os policiais estão autorizados a apreender celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, cartões de memória, documentos, contratos e comprovantes de transferências, além de veículos e outros materiais que possam contribuir para a investigação.
Também foi autorizado o acesso aos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Com isso, os investigadores poderão reconstruir a movimentação financeira e analisar a origem e o destino dos recursos, além de comunicações e dados armazenados nos equipamentos.
Na parte patrimonial, a Justiça determinou bloqueio de ativos, sequestro de bens e indisponibilidade de patrimônio de até R$ 2 milhões.
Veículos localizados durante as diligências também poderão ser sequestrados caso sejam encontrados elementos que indiquem relação com os crimes investigados.
Papel de “Sarinha” no esquema
Uma das investigadas teve a prisão preventiva decretada e, conforme a decisão judicial, teria exercido uma função considerada relevante na execução do esquema.
De acordo com a investigação, ela estaria envolvida em atividades como captação de clientes, negociação dos veículos, recebimento dos automóveis, direcionamento de pagamentos e movimentação dos recursos.
O apelido “Pátio Paralelo” faz referência justamente ao caminho que os veículos usados teriam seguido após serem entregues pelos clientes.
Segundo a Polícia Civil, os automóveis seriam retirados do circuito comercial regular da concessionária e direcionados para uma estrutura paralela, envolvendo terceiros e uma empresa relacionada aos investigados.
As diligências continuam com o objetivo de identificar o destino dos veículos e dos valores movimentados, além de verificar a eventual participação de outras pessoas e empresas no esquema.
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