Neste sábado (5), a Polícia Civil prendeu preventivamente Hercílio Junio Freitas Cordeiro, de 22 anos, investigado pela sequência de acidentes que terminou com a morte do motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, em Cuiabá.
A prisão foi realizada por agentes da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) após decisão da Justiça. Segundo o delegado Christian Cabral, a medida foi solicitada diante de novos elementos que passaram a preocupar os investigadores, entre eles mudanças na postura de testemunhas e uma possível tentativa de coação.
Hercílio estava em uma residência localizada em um condomínio de luxo quando os policiais chegaram para cumprir a ordem judicial. Conforme relatado pelo delegado, o jovem percebeu a presença das equipes ao olhar pela janela e teria tentado fugir, mas os policiais já haviam cercado o imóvel.
Ainda segundo as informações repassadas por Christian Cabral ao SBT Comunidade, Hercílio teria resistido à prisão antes de ser contido e levado para a sede da Deletran.
Testemunhas passaram a desmarcar depoimentos
A decisão de prender o investigado ocorreu em meio ao avanço das apurações sobre a morte de Paulo.
Segundo o delegado, testemunhas que seriam ouvidas pela Polícia Civil começaram a cancelar ou desmarcar os depoimentos previstos na investigação. Para os investigadores, a situação poderia representar uma tentativa de prejudicar o esclarecimento dos fatos.
Outro ponto considerado relevante foi a informação de que uma das principais testemunhas do caso teria sido coagida.
De acordo com Christian Cabral, a companheira de Hercílio, que estaria com ele antes dos acidentes, teria sido pressionada para não prestar depoimento às autoridades.
A suposta coação ainda será investigada pela Polícia Civil e integra os elementos que fundamentaram o pedido de prisão preventiva.
BMW teria atingido 177 km/h antes da colisão fatal
As investigações também reuniram dados sobre a velocidade desenvolvida pela BMW envolvida no caso.
Conforme registros obtidos junto à Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), o veículo teria sido flagrado a 177 km/h por volta das 0h45, pouco antes da colisão que matou Paulo. Naquele trecho da Avenida Isaac Póvoas, a velocidade máxima permitida era de 50 km/h.
A Polícia Civil também apura o que ocorreu momentos antes dos acidentes. Hercílio teria passado por uma casa noturna, onde teria se envolvido em uma confusão e sido retirado do estabelecimento.
Na sequência, ele teria deixado o local dirigindo a BMW. A investigação ainda verifica a possibilidade de consumo de bebida alcoólica.
Outro fator apontado pelos investigadores é que Hercílio não possui CNH.
Duas colisões ocorreram em sequência
O caso aconteceu na madrugada de domingo (30), quando a BMW teria se envolvido em dois acidentes consecutivos na Avenida Isaac Póvoas.
Na primeira ocorrência, um motociclista foi atingido e ficou ferido.
Pouco tempo depois, aconteceu uma segunda colisão. Dessa vez, Paulo Messias Simão Costa foi atingido enquanto pilotava sua motocicleta.
O impacto fez com que o jovem fosse arremessado. Paulo morreu ainda no local do acidente.
Após a batida, a BMW teria sido deixada nas proximidades da Santa Casa, enquanto o motorista teria abandonado o local caminhando, conforme apontam as investigações.
Vítima havia saído para trabalhar
Paulo tinha 23 anos e trabalhava como entregador de motocicleta. Naquela madrugada, havia saído para cumprir sua jornada quando acabou atingido pela BMW.
A morte deixou familiares e amigos abalados. O jovem era conhecido pela rotina de trabalho e por utilizar a motocicleta como instrumento para garantir seu sustento.
Desde o acidente, a Polícia Civil vinha reunindo imagens, registros de trânsito e depoimentos para reconstruir a dinâmica dos acontecimentos e identificar as circunstâncias que antecederam a colisão fatal.
Prisão ocorreu após duas passagens pela delegacia
A prisão deste sábado aconteceu poucas horas depois de Hercílio voltar a comparecer à Deletran.
Na quinta-feira, ele havia ido à delegacia e deixado a unidade em liberdade. Na sexta-feira (4), retornou acompanhado de advogado e seguranças.
Durante o interrogatório, permaneceu em silêncio e deixou novamente a delegacia pela porta da frente.
A saída foi marcada por tumulto envolvendo profissionais da imprensa que acompanhavam o caso. Durante a confusão, um cinegrafista ficou ferido.
Naquele momento, Hercílio não estava em flagrante e ainda não havia uma ordem judicial de prisão contra ele.
A situação mudou neste sábado, quando a Justiça determinou sua prisão preventiva.
Com o mandado em mãos, os policiais foram até o condomínio onde o jovem estava. Depois de ser localizado e detido, Hercílio foi encaminhado à Deletran, onde permanece à disposição da Justiça.
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